Câmara Municipal abre CPI sobre feminicídios em Uberlândia
Comissão terá 120 dias para analisar casos, verificar possíveis falhas na rede de proteção às mulheres e avaliar como foram conduzidas as investigações
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A Câmara Municipal de Uberlândia (MG) instalou oficialmente uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os feminicídios registrados no município nos anos de 2024 e 2025. A comissão pretende entender as circunstâncias desses crimes e avaliar se houve falhas na prevenção, no registro das ocorrências ou no acompanhamento dos casos. O prazo inicial para conclusão das investigações é de 120 dias.
Os trabalhos da CPI sobre feminicídios em Uberlândia foram abertos nesta segunda-feira (9), durante reunião realizada no Salão Nobre João Pedro Gustin, na sede do Legislativo municipal. A comissão foi criada a partir de um requerimento aprovado pelos vereadores e formalizada por portaria da Câmara Municipal.

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CPI sobre feminicídios em Uberlândia é instaurada
Durante a reunião de instalação, os vereadores definiram a composição da comissão. A presidência ficou com a vereadora Liza Prado, enquanto o vereador Elinho da Academia foi escolhido como relator.
Também integram a CPI as vereadoras Amanda Gondim e Lia Valechi, além do vereador Pezão do Esporte, autor do pedido que deu origem à investigação.
Na primeira reunião, os parlamentares aprovaram medidas administrativas para o funcionamento da comissão, como apoio técnico da Câmara, registro das reuniões pela TV Legislativa e estrutura para envio de notificações e pedidos de informações.
A próxima reunião da CPI está marcada para o dia 16 de março, às 9h, no plenário da Câmara Municipal de Uberlândia, quando deverá ser apresentado o plano de trabalho e o cronograma das investigações.
Feminicídios em Uberlândia
De acordo com números da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais, Uberlândia registrou, em 2024, 10 feminicídios e outras 10 tentativas, os maiores números desde 2019. Já em 2025, foram contabilizados 2 casos consumados e 7 tentativas.
Mesmo com a redução no último ano, um episódio recente impactou a cidade. Neste domingo (8), Dia Internacional da Mulher, uma vítima sobreviveu após ser alvo de sete disparos efetuados pelo companheiro, que tirou a própria vida em seguida.
Esses dados serão um dos pontos analisados pela CPI, que pretende compreender o cenário da violência contra a mulher na cidade e identificar possíveis lacunas nas políticas de proteção.
Rede de proteção também será analisada
Além dos casos registrados, a comissão também pretende avaliar o funcionamento da rede de atendimento às mulheres em situação de violência.
Durante as investigações, poderão ser solicitados documentos e informações a órgãos públicos e instituições que atuam no enfrentamento da violência doméstica. Entre os pedidos já aprovados estão relatórios sobre recursos aplicados em políticas para mulheres, informações sobre o Fundo Municipal dos Direitos da Mulher e dados sobre estruturas como casa abrigo e casa de passagem.
A vereadora Amanda Gondim também solicitou informações sobre o cumprimento da lei municipal que instituiu o chamado “Dossiê das Mulheres”, que reúne dados sobre violência de gênero no município.