Usina de biometano prevê R$ 1 bi de investimentos no Triângulo Mineiro

Contrato para implantação da planta de biometano em Uberaba foi assinado nesta quinta (25) e deve iniciar operação em maio de 2028

Da Redação , em Uberlândia

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Assinatura do contrato sobre a produção de biometano reuniu prefeitos de Uberaba e Uberlândia – Cemig/Divulgação

O contrato para fornecimento de biometano a partir de uma usina no Triângulo Mineiro foi assinado nesta quinta-feira (25), em Uberaba. O contrato envolve o grupo Cemig, por meio da Gasmig, com a GeoMit, joint venture formada pela japonesa Mitsui e pela brasileira Geo bio gas&carbon, em parceria com a Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA). O acordo viabiliza a implantação de uma planta com capacidade de produção inicial de 50 mil metros cúbicos diários em Uberaba, e marca uma nova fase na distribuição de combustíveis renováveis a partir do Triângulo, com investimentos que irão impactar cidadãos e empresas de quatro cidades – Uberlândia, Uberaba, Araxá e Indianópolis.

“É um projeto que busca atingir cerca de milhão de pessoas e que certamente será utiliizado como piloto para o desenvolvimento de novos projetos não só em Minas Gerais, mas no Brasil como um todo”, disse o presidente da Cemig, Alexandre Ramos Peixoto, em entrevista à TV Paranaíba.

O contrato é o primeiro desdobramento da maior chamada pública de biometano da história da Gasmig e visa transformar Minas Gerais em uma referência nacional na produção e distribuição de combustíveis renováveis.

A nova planta utilizará subprodutos do processo produtivo de açúcar e etanol da CMAA para a geração de biometano, combustível de baixo carbono produzido a partir da decomposição de resíduos orgânicos. A operação comercial está prevista para começar em maio de 2028.

Para conectar a produção à sua rede de distribuição, a Gasmig prevê investimentos de aproximadamente R$ 1 bilhão em infraestrutura. O projeto contempla cerca de 400 quilômetros de redes isoladas e interligações, ampliando a oferta de gás renovável para clientes industriais que atualmente utilizam combustíveis fósseis, como diesel, óleo combustível e GLP.

“A construção da usina vai possibilitar termos biometano suficiente para atender as nossas indústrias, e a Gasmig fará um grande investimento que é um gasoduto na cidade de Uberlandia, que vai passar por todas as grandes indústrias consumidoras de energia, que agora terão uma energia mais limpa e a um custo menor”, disse o prefeito de Uberlândia, Paulo Sérgio.

“A nossa região com a vocação do agronegócio, com a matéria-prima que temos aqui, que é o combustível para a produção do biometano, reforça que é uma região de oportunidades, de desenvolvimento, e está se posicionando também na transição energética de forma sustentável”, completou a prefeita de Uberaba, Elisa Araújo.

De acordo com o presidente da Gasmig, Gustavo De Marchi, Minas Gerais reúne as condições necessárias para se consolidar como um dos principais polos de produção de biometano do país. “O papel da Gasmig é criar um ambiente de negócios que estimule investimentos, amplie a oferta de energia renovável e gere desenvolvimento sustentável para o estado. Vamos construir a infraestrutura que vai permitir ao agronegócio mineiro se transformar em uma potência energética sustentável”, destaca De Marchi.

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Expansão do mercado

O volume contratado pela Gasmig na unidade de Uberaba corresponde a aproximadamente 20% da demanda de biometano projetada pela companhia para a região. O empreendimento integra a estratégia da distribuidora de contratar até 250 mil metros cúbicos diários do combustível renovável nos próximos anos, diversificando seu portfólio energético e ampliando a participação de fontes de baixo carbono em sua rede.

O projeto também está alinhado à Lei do Combustível do Futuro, que amplia a participação do biometano na matriz energética brasileira e estabelece metas para sua utilização pelos agentes do setor.

Além dos benefícios ambientais, o biometano contribui para o fortalecimento da economia circular ao aproveitar resíduos agroindustriais que antes não possuíam destinação energética. Em comparação ao diesel, o combustível pode reduzir em até 80% as emissões de gases de efeito estufa, ao mesmo tempo em que estimula novos investimentos e gera oportunidades de negócios no setor sucroenergético e no agronegócio mineiro.