Minas lidera geração de energia solar no país, e Uberlândia é protagonista no estado
Minas Gerais é o maior gerador de micro e minigeração distribuída, atraindo investimentos bilionários e mudando rotina de moradores, técnicos e empresas
Minas Gerais vive um momento decisivo na transição energética brasileira. A energia solar em Minas Gerais já coloca o estado como protagonista absoluto no país, tanto pela força econômica quanto pelo impacto direto no dia a dia das famílias e empresas. Na prática, Minas lidera a micro e minigeração distribuída (MMGD), acumulando 5,6 gigawatts (GW) de potência instalada e mais de 407 mil unidades consumidoras gerando a própria energia, sendo 371 mil conectadas à rede da Cemig.
Esse avanço é resultado da combinação entre clima favorável, tecnologia mais acessível e mudanças regulatórias que impulsionaram o mercado. Para especialistas, consumidores e empresários do setor, essa nova matriz energética está redefinindo como mineiros consomem eletricidade e como planejam o futuro.
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Uberlândia lidera geração distribuída em Minas Gerais
Se Minas Gerais já ocupa a liderança nacional em energia solar, Uberlândia é o município que mais impulsiona esse avanço dentro do estado, de acordo com o Ranking Municipal de Geração Distribuída publicado pela Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), em novembro de 2024.
Dados oficiais da Cemig, enviados à reportagem, mostram que a cidade aparece em primeiro lugar entre os 853 municípios mineiros, com 19.112 usinas de micro e minigeração distribuída conectadas à rede — 19.106 delas de fonte solar.
Esse conjunto de usinas soma 178,3 megawatts (MW) de potência instalada, o que significa que Uberlândia sozinha responde por uma fatia expressiva da energia solar gerada em telhados, comércios, indústrias e propriedades rurais em Minas. O destaque fica para o setor residencial, que concentra a maior parte das adesões, conforme mostra o quadro abaixo:

Segundo Bernardo Pains, gerente de Projetos de Expansão da Cemig, o protagonismo de Uberlândia é resultado da combinação entre estrutura elétrica preparada, adesão crescente da população e maturidade do mercado solar na região. “Uberlândia se consolidou como referência técnica e operacional em geração distribuída. O município reúne alta capacidade de conexão, grande participação da classe residencial e um consumidor cada vez mais consciente do benefício econômico e ambiental da energia solar”, afirma Pains.
Para Pains, o desempenho de Uberlândia contribui diretamente para que Minas Gerais permaneça na liderança nacional e fortaleça o movimento de transição energética no país.
Energia solar em Minas Gerais cresce com tecnologia mais barata
A queda no preço dos equipamentos é uma das razões para a expansão da energia solar em Minas Gerais. O engenheiro Pedro Oliveira, da Alpha Energias, explica que os valores diminuíram “mais da metade nos últimos cinco anos”, especialmente nos módulos fotovoltaicos e nos inversores.
Ele destaca ainda que, apesar de mudanças regulatórias, como a Lei 14.300/2022, que agora exige o pagamento do “fio B”, uma taxa pelo uso da rede, o sistema se tornou ainda mais atrativo. “Mesmo com o pedágio para quem injeta energia na rede, o custo dos equipamentos caiu tanto que a competitividade da solução melhorou. Passamos por desafios, mas o setor se reinventou e encontrou maneiras de continuar oferecendo energia solar para todos os perfis de consumidores”, explicou Pedro.
O especialista lembra que novas tecnologias, maior oferta de crédito e linhas de financiamento acessíveis colocaram o setor em uma curva de crescimento exponencial até 2024. Em 2025, o ritmo permanece positivo, mas com ajustes naturais após anos de expansão acelerada.
Transição energética: por que o consumo mudou?
Para Pedro Oliveira, o avanço da energia solar acompanha uma mudança cultural. Ele afirma que “a última geração que viveu sem ar-condicionado está acabando”, e que hoje há muito mais demanda por conforto térmico, iluminação, eletrodomésticos de alto consumo e até veículos elétricos. “A maneira como usamos energia mudou completamente. Fogão por indução, carregadores, eletrodomésticos modernos… tudo isso faz a demanda crescer. A energia solar entra como resposta necessária a esse novo ritmo de consumo.”
O engenheiro destaca ainda que um sistema para uma residência com conta de R$ 500 por mês custa, em média, R$ 15 mil e o retorno financeiro ocorre em cerca de três anos.
O que muda para quem instala energia solar? Consumidora conta experiência

A consultora de viagens Selma Morais, moradora de Uberlândia, é um exemplo de como a energia solar transformou o cotidiano das famílias no estado. Ela conta que decidiu instalar o sistema para reduzir gastos. “Decidi instalar energia solar pela economia e pelo conforto. Com o clima cada vez mais quente, o ar-condicionado virou necessidade.”
Na casa dela vivem duas pessoas. Antes da instalação, a conta de luz era de R$ 350. Com o sistema solar funcionando, Selma passou a pagar cerca de R$ 65 por mês, uma redução superior a 80%. O investimento foi de aproximadamente R$ 10 mil, com previsão de retorno entre 3 e 4 anos.
Selma ainda destaca que mudança na rotina foi imediata. “Ficou mais fácil economizar. A gente usa os eletrodomésticos com muito mais tranquilidade, sem medo da conta no fim do mês. E ainda ajudamos o meio ambiente.”
Por estar com o sistema há pouco tempo, Selma ainda não analisou se houve geração excedente para acumular créditos, algo permitido pela regulamentação, com validade de até 60 meses.
Como funciona a compensação de energia solar em Minas?
A Cemig explica que o funcionamento é simples:
- A energia gerada no telhado abastece primeiro o imóvel.
- Se sobrar energia, ela é enviada para a rede elétrica.
- Esse excedente vira crédito, que pode ser usado para abater a conta por até 5 anos.
- É possível compartilhar créditos com outros imóveis do mesmo titular ou aderir a consórcios e cooperativas de geração compartilhada.
Isso permite que consumidores economizem mensalmente e, em alguns casos, zere a fatura por longos períodos. Para especialistas, a tendência é que o mercado cresça ainda mais, especialmente diante da transição energética global. “O setor é muito promissor. Estamos apenas no começo da mudança de como o mundo consome energia”, resume Pedro Oliveira.