Aos 11 anos, ginasta de Uberlândia supera lesão e volta a representar Minas nos JEBs

Maria Eduarda Pacheco ajudou Uberlândia a conquistar o título por equipes no JEMG e garantiu, pelo segundo ano consecutivo, uma vaga para representar Minas Gerais nos Jogos Escolares Brasileiros

, em Uberlândia

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Poucos dias antes do principal desafio da temporada, a ginasta Maria Eduarda Oliveira Pacheco, de 11 anos, caiu durante um treino, machucou a lombar e passou a conviver com dores intensas. Mesmo lesionada, reduziu o número de provas que disputaria, intensificou as sessões de fisioterapia e seguiu treinando.

O esforço valeu a pena: semanas depois, a estudante garantiu, pelo segundo ano consecutivo, uma vaga para representar Minas Gerais nos Jogos Escolares Brasileiros (JEBs) e ajudou Uberlândia a conquistar o título por equipes da ginástica artística feminina nos Jogos Escolares de Minas Gerais (JEMG) 2026.

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Ginasta Maria Eduarda Pacheco
Maria Eduarda Pacheco, de 11 anos, garantiu vaga para representar Minas Gerais nos Jogos Escolares Brasileiros (JEBs) pelo segundo ano consecutivo após superar uma lesão na lombar – Créditos: Divulgação/Danielle Costa

O desempenho das atletas uberlandenses colocou novamente a cidade entre as maiores forças da modalidade em Minas. Além do ouro por equipes nas duas categorias em disputa, três das cinco vagas disponíveis para representar o estado nas principais competições escolares do Brasil ficaram com ginastas da BRAVO Ginástica Artística, de Uberlândia.

A etapa estadual do JEMG foi disputada nos dias 3 e 4 de agosto, em Pará de Minas, com estudantes de 11 a 15 anos de escolas públicas e particulares de diversas cidades mineiras.

Atletas e comissão técnica da BRAVO Ginástica Artística após a participação no JEMG 2026, em Pará de Minas, onde Uberlândia foi campeã por equipes nas duas categorias da modalidade – Créditos: Divulgação/Danielle Costa

Uma lesão que quase mudou a temporada

Para quem acompanhou a rotina de Maria Eduarda nas últimas semanas, a classificação teve um significado ainda maior.

Segundo a mãe da atleta, Danielle Pacheco, Maria Eduarda sofreu uma queda durante um treino e lesionou a lombar 15 dias antes do JEMG, quando faltavam apenas cinco dias para o Campeonato Estadual, disputado em Belo Horizonte.

Após avaliação médica descartar uma lesão mais grave na coluna, a família intensificou a fisioterapia para que a ginasta pudesse voltar às competições.

Mesmo assim, o sofrimento era evidente.

“Cortava o coração vê-la fazendo as rotinas enquanto as lágrimas escorriam pelo rosto. Para não forçar ainda mais, ela abriu mão de competir em todos os aparelhos e disputou apenas salto e paralelas. Mesmo assim, conquistou o bronze no salto e ajudou a equipe a subir ao pódio”, relembra Danielle.

A partir dali, toda a preparação passou a ter um único objetivo: o JEMG.

“O foco era voltar o mais forte possível. Ela continuou treinando no sacrifício para chegar preparada. Como mãe, nunca é fácil ver uma filha sofrendo, mas a Duda é muito forte. Todos nós aprendemos diariamente com ela”, afirma.

Ouro para Uberlândia e vaga para representar Minas

No JEMG, Maria Eduarda respondeu dentro do ginásio.

Ela terminou o Individual Geral na segunda colocação, garantindo uma das vagas de Minas Gerais para os Jogos Escolares Brasileiros, que serão disputados em Brasília, em setembro.

Ao lado dela, também conquistou classificação a uberlandense Maria Laura Magalhães Silva Lopes, terceira colocada no Individual Geral da categoria de 11 a 12 anos.

Na categoria de 13 a 15 anos, outra atleta da BRAVO, Malena Scagliarini Salomão Leiria, garantiu a vaga para representar Minas nos Jogos da Juventude, em Foz do Iguaçu (PR).

Ao todo, três das cinco vagas destinadas ao estado nas duas principais competições escolares do país ficaram com atletas de Uberlândia.

Cidade domina a ginástica artística em Minas

O resultado coletivo também chamou atenção. Na categoria de 11 a 12 anos, Uberlândia conquistou o primeiro lugar por equipes depois de somar quatro medalhas de ouro, uma de prata e quatro de bronze. Elas competiram nos quatro aparelhos da ginástica (salto, solo, paralelas e trave)

As medalhas vieram com apresentações de Maria Eduarda Oliveira Pacheco e Maria Laura Magalhães Silva Lopes representando a BRAVO e Letícia Lopes Rezende junto com Maitê Gabrielle Rosa dos Santos, vestindo as cores da Fundação Uberlandense do Turismo, Esporte e Lazer (FUTEL)

Ginastas da BRAVO e da FUTEL representaram Uberlândia no JEMG 2026 e contribuíram para a conquista do título por equipes na categoria de 11 a 12 anos – Créditos: Divulgação/Danielle Costa

Já entre as atletas de 13 a 15 anos, a cidade voltou ao lugar mais alto do pódio.

Representada por Maria Júlia Gonzaga da Silva Ferreira, Lara Vitória Souza Mendes, Ana Clara Lima de Souza, Junia Carneiro Goulart e Malena Scagliarini Salomão Leiria, Uberlândia encerrou a competição com dois ouros, duas pratas e três bronzes, além do título por equipes.

Com isso, a cidade do Triângulo Mineiro terminou o JEMG como campeão nas duas categorias da ginástica artística feminina.

Equipe de competição da BRAVO Ginástica Artística levou Uberlândia ao primeiro lugar por equipes na categoria de 13 a 15 anos durante o JEMG 2026 – Créditos: Divulgação/Danielle Costa

Uma rotina de alto rendimento aos 11 anos

Por trás das medalhas existe uma rotina que exige disciplina de gente grande. Maria Eduarda estuda pela manhã. Assim que sai da escola, almoça rapidamente e segue para o treino, onde permanece das 14h às 19h.

Três vezes por semana, ainda faz fisioterapia até as 20h. Aos sábados, volta ao ginásio para mais duas horas de treino.

Além da preparação técnica, a atleta mantém acompanhamento com fisioterapeuta, nutricionista, endocrinologista e psicóloga. Segundo Danielle, toda a família precisou reorganizar a rotina para acompanhar a filha.

“Os avós ajudam quando não conseguimos buscá-la. Os tios também participam. Todos vestiram a camisa desse sonho”, relatou.

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As renúncias fazem parte da caminhada

A dedicação ao esporte também exige escolhas. Enquanto muitas meninas da mesma idade aproveitam finais de semana para descansar ou sair com os amigos, Maria Eduarda frequentemente está em treinos ou viajando para competições.

No próprio JEMG, por exemplo, ela não conseguiu participar do aniversário da avó. Apesar das renúncias, a mãe diz que a filha entende o propósito de cada sacrifício.

“O alto rendimento cobra um preço. Ela abre mão de momentos comuns da adolescência, mas nunca reclama. Entende que cada renúncia faz parte do caminho para realizar os sonhos”, disse.

Atletas da BRAVO Ginástica Artística conquistaram o título por equipes no JEMG 2026 e classificaram duas representantes de Uberlândia para os Jogos Escolares Brasileiros – Créditos: Divulgação/Danielle Costa

“Eu consegui”

Entre tantas competições, Danielle guarda uma lembrança que simboliza toda a trajetória da filha.

Quando tinha apenas 7 anos, Maria Eduarda foi convidada para disputar seu primeiro campeonato para conhecer como funcionava uma competição. Na cabeça dos pais, a filha estava apenas para ganhar experiência.

Porém, durante a cerimônia de premiação, enquanto estava no banheiro com a mãe, ouviram seu nome ser anunciado. As duas correram para o ginásio. Maria Eduarda subiu ao pódio para receber sua primeira medalha.

Ao descer, olhou para a família e disse apenas: “Eu consegui.”

“Naquele momento tive certeza de que aquele era o esporte dela. Desde então, nunca mais deixamos de apoiá-la. Hoje entendemos que a ginástica ensina muito mais do que ganhar medalhas. Ela forma caráter, disciplina e perseverança”, conclui Danielle.

O esporte de Uberlândia segue revelando talentos. Continue acompanhando o Paranaíba Mais para conferir outras histórias que inspiram dentro e fora das competições.