Sem celular em sala: alunos de Uberlândia revelam novo foco além das telas

Cinco meses após a proibição, estudantes contam em Olimpíada de Redação como a medida abriu espaço para novas interações

, em Uberlândia

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Uberlândia está entre os municípios mineiros mobilizados pela primeira edição da Olimpíada de Redação da Rede Estadual de Ensino, promovida pelo Governo de Minas. Com o tema “Os efeitos do uso excessivo do celular por crianças, adolescentes e jovens”, a iniciativa propõe que os alunos da rede pública reflitam sobre a influência dos dispositivos no dia a dia, justamente em um momento em que a lei estadual 15.100, que restringe o uso de celulares em sala de aula, começa a transformar hábitos dentro das escolas.

Alunos de Uberlândia contam em redações como reduzirem o uso de celular e redescobriram o mundo ao redor – Crédito: TV Paranaíba

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Em entrevista à TV Paranaíba, a superintendente regional de ensino, Onília Borges, comentou sobre a importância da competição.

“Essa olimpíada vem num momento muito oportuno, porque desde que veio a Lei 15.100, que proíbe o celular nas nossas escolas — só pode ser usado com finalidade pedagógica —, as crianças começaram a se interessar por livros, a dialogar, a participar mais. Na redação, elas vão colocar como viram tudo isso”, disse.

Alunos do 5º ano do fundamental até a Educação de Jovens e Adultos (EJA) irão escrever entre os dias 7 e 11 de julho, em suas próprias salas de aula. As produções passam por etapas de seleção escolar, regional e estadual, com base em critérios como criatividade, coerência e domínio da norma padrão da Língua Portuguesa. Os textos vencedores serão reconhecidos com medalhas, placas e menções honrosas.

Sem celular em sala

Em Uberlândia, já é possível sentir os efeitos da mudança sobre a nova lei. “Os recreios estavam se tornando silenciosos, cada um no seu universo com o celular na mão. A gente viu que passou a ser mais movimentado, eles brincam, conversam e o relacionamento melhorou muito”, contou Onília Borges.

Ianne Caroline, aluna do 3º ano do Ensino Médio em Uberlândia, também percebeu mudanças além dos muros da escola. “Acredito que depois da proibição, diminuiu o uso até em casa. Às vezes eu ficava sempre com o celular na mão. Hoje em dia presto mais atenção na vista, na rua, quando estou no ônibus. Melhorou muito, não uso mais excessivamente”, relatou.

Outro reflexo positivo foi o crescimento na frequência à biblioteca escolar, segundo a superintendência regional. Para o Governo de Minas, essa mobilização faz parte de uma política mais ampla de incentivo à leitura e à escrita, com investimentos superiores a R$ 200 milhões, que incluem a requalificação de bibliotecas e acesso a plataformas digitais de aprendizagem.

“A gente quer que o aluno não apenas aprenda a escrever bem, mas que pense, que questione, que se expresse sobre aquilo que vive”, conclui a superintendente.