Projetos da UFU colocam Uberlândia em rede global do BRICS

Projetos financiados pela Capes irão desenvolver tecnologias para remover poluentes emergentes e ampliar a eficiência do tratamento de água

, em Uberlandia

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Neste mês, iniciam-se dois projetos da UFU que integram uma iniciativa do BRICS, em cooperação científica com universidades renomadas ao redor do mundo. Os estudos se voltam para o tema da “Água e Poluição” e envolvem o desenvolvimento de membranas multifuncionais avançadas e sorventes para o tratamento de água, e de técnicas e tecnologias capazes de retirar da água materiais e compostos poluentes que não podem ser removidos com tratamentos convencionais.

Projetos da UFU colocam Uberlândia em rede global do BRICS
A UFU mantém desde 2016 acordos de cooperação/memorandos de entendimento com Instituições dos países do grupo dos BRICS, sendo que nos últimos quatro anos, sete novos acordos foram assinados – Crédito: Universidade Federal de Uberlândia/Reprodução

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Segundo Antônio Otávio Patrocínio, professor do Instituto de Química da UFU, coordenador-geral da cooperação com o BRICs na UFU e de um dos projetos, o Governo Federal trabalhou pela formulação da rede BRICS – NU (Network Universities) com o objetivo de promover a cooperação científica, acadêmica e cultural entre diferentes instituições do BRICS (aliança política e econômica de grandes nações emergentes e do Sul Global, representando cerca de 49% da população mundial e 40% do PIB global). 

A UFU integra um grupo seleto de 20 instituições brasileiras para compor a rede. Atualmente, o BRICS  reúne Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, além dos novos membros: Emirados Árabes Unidos, Egito, Etiópia, Indonésia e Irã.

Segundo os autores do projeto, a escolha da universidade se deu pela participação consolidada em estudos internacionais.

“A Universidade Federal de Uberlândia, em seus 47 anos de história como parte da rede de instituições federais de ensino e pesquisa, se destaca como um centro regional e nacional de geração e disseminação de conhecimento na forma de ciências, tecnologias, inovações, cultura e artes. Por meio da Diretoria de Relações Internacionais e Interinstitucionais (DRII) são organizadas políticas e planos de internacionalização, acompanhamento e apoio às ações de mobilidade acadêmica internacional e ainda a assinatura de acordos de cooperação bilateral e de duplo diploma com instituições estrangeiras”, disse Otávio Patrocínio.

O professor explica que os estudos desenvolvidos pela rede se voltam para diversos temas, como energia, ciência da computação, ecologia, economia, ciências da saúde, agricultura e etc. “E um desses temas envolvia água e poluição. Então, a Universidade Federal de Uberlândia e a Universidade Federal de Ceará (UFC) foram selecionadas entre as brasileiras para participar dessa rede dentro desta temática”, completa. 

“Em água e poluição, são 18 universidades do Brasil, China, Egito, Índia, Indonésia, Rússia, Irã, África do Sul e Emirados Árabes Unidos. São nove países diferentes, cada um desses países tem duas instituições. E a UFU, junto com a UFC, foram as brasileiras selecionadas para isso”.

Os dois projetos da UFU são coordenados por professores do Instituto de Química da universidade e possuem recursos de R$ 1,8 milhão cada, angariados junto ao CAPES. Além de Patrocínio, o outro projeto é coordenado pelo professor Daniel Pasquini. Os estudos serão desenvolvidos durante 4 anos, a partir deste mês. 

“Do ponto de vista científico e tecnológico, a expectativa é desenvolver novas tecnologias, processos e dispositivos, além de gerar patentes conjuntas e publicações científicas de alta qualidade. A iniciativa busca contribuir para que o Brasil e a Universidade Federal de Uberlândia ocupem uma posição de destaque no enfrentamento desse problema, considerado um dos mais relevantes para a sociedade na atualidade”, afirmou Patrocínio.

Os projetos da UFU no BRICS-NU

De acordo com Patrocínio, o grande objetivo dos estudos desenvolvidos em Uberlândia é “atuar no desenvolvimento de novos materiais, processos, metodologias e estratégias para o controle da poluição em diferentes corpos d’água, para o reaproveitamento eficiente e para que o acesso à água seja o mais amplo e universal possível”.

A UFU trabalha com dois grandes projetos, que incorporam uma porção de estudos cada. O primeiro, coordenado por Daniel Pasquini,  é destinado ao desenvolvimento de membranas para filtração e adsorção de poluentes em água. O projeto se concentrará em três áreas de atuação: 

  1. Membranas cerâmicas de fibra oca;
  2. Membranas poliméricas;
  3. Adsorventes, todos voltados para a remoção de contaminantes de efluentes.

O segundo projeto, coordenado por Patrocínio, é focado no desenvolvimento de técnicas e tecnologias capazes de combater os chamados “poluentes emergentes” em corpos d’água.

“Esses poluentes emergentes são aqueles que não podem ser removidos por meio de processos convencionais de tratamento de água. Antibióticos, anti-inflamatórios, hormônios que são utilizados por humanos ou na veterinária, por exemplo, acabam em algum momento chegando até a rede de esgoto. E mesmo que esse esgoto seja tratado, muitos desses componentes não são removidos e acabam aparecendo nos corpos d’águas naturais”, explicou o coordenador do projeto. 

Segundo o professor, existem estudos que indicam que os rios que cortam as cidades, e até mesmo as nascentes, já contêm algum tipo desses poluentes emergentes. De acordo com ele, mesmo em quantidades muito pequenas, estas substâncias podem alterar tanto a saúde humana quanto a saúde animal, como a reprodução de peixes e outros animais aquáticos, por exemplo. 

O professor explica que, em termos gerais, os dois projetos da UFU buscam traçar novas formas de remover materiais que são grandes obstáculos para os tratamentos convencionais de água, como microplásticos. “E nesse ponto o projeto ganha destaque porque há uma tentativa de uso de tecnologias limpas para se fazer isso. Então, utilizando, por exemplo, a luz solar como fonte de energia para a promoção desses processos”, completou.

O coordenador geral explica que a UFU possui parceria com os órgãos municipais para estudos relacionados ao meio ambiente e ao tratamento de água. “Os nossos estudos sempre levam muito em consideração a questão local. Mas, o principal objetivo, na verdade, é gerar processos que sejam globalmente aplicados, universais”.

“O projeto em si é um projeto acadêmico e científico que pretende disponibilizar à sociedade de Uberlândia e ao país, tanto profissionais com experiência nesse tipo de problema, quanto novas tecnologias e processos. É óbvio que, estando em Uberlândia, nosso olhar está voltado para as bacias hidrográficas da região, para os problemas encontrados localmente e para as formas de solucioná-los”, explicou.

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Parcerias com instituições do BRICS 

Desde 2016, no interior da BRICS-NU a UFU mantém parcerias de cooperação científica com a Nosov Magnitogorsk State Technical University, da Rússia; a East China University of Science and Technology, da China; a University of Birjand, do Irã; a Moscow City University, da Rússia; a Sichuan University of Science and Engineering, da China; a Shaanxi University of Science and Technology, da China; a Guangdong Ocean University, da China; e a Saint Petersburg State University, da Rússia.

No caso dos estudos de Água e Poluição, os dois projetos da UFU irão trabalhar em conjunto com a Sichuan University, da China, e a Saint Petersburg State University (SPBGU), da Russia. 

“Por conta da capacidade técnica, da amplitude da equipe do projeto, então se propõem atividades que vão desde a preparação de novos materiais, a caracterização e o teste em laboratório, e até se chegar ao teste para resíduos reais, para efluentes reais, inclusive com o estudo de viabilidade técnica econômica para uso dessas novas tecnologias no tratamento de águas residuárias”, disse Patrocínio.

O professor conta que boa parte dos recursos, angariados junto ao CAPES, será direcionado a missões de trabalho de pesquisadores da UFU às universidades parceiras. 

“Boa parte dos recursos é empregado, na verdade, no envio de estudantes, principalmente estudantes de pós-graduação, mestrado, doutorado, pós-doutorado, para a realização de um período que a gente chama de período sanduíche. Um período em que eles realizam os estágios experimentais, passam um tempo nas instituições estrangeiras, realizando testes, trocando experiências, aprendendo novas metodologias para que eles retornem depois a Uberlândia e deem continuidade aos estudos aqui”, explicou.