Greve estadual tem baixa adesão em Uberlândia; veja o porquê

Paralisação começou nesta quarta (4), mas unidades locais seguem funcionando normalmente; professores citam medo de desconto no salário para não aderir

, em Uberlândia

-

A greve estadual na rede de ensino tem baixa adesão em Uberlândia. Embora o movimento grevista tenha começado na quarta-feira (4), a maioria das escolas estaduais da cidade manteve as aulas normalmente nesta quinta-feira (5), segundo apuração realizada pelo Paranaíba Mais.

A paralisação foi confirmada após o Governo de Minas anunciar reajuste salarial de 5,4% para os servidores, mas o índice é considerado insuficiente pela categoria. O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) defende um percentual maior e cobra a recomposição de perdas acumuladas desde 2019.

Greve estadual na rede de ensino
Greve na rede estadual tem pouca adesão em Uberlândia e maioria das escolas mantém aulas – Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil/Reprodução

📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp

Greve estadual tem baixa adesão em Uberlândia

De 10 unidades consultadas pela reportagem do portal Paranaíba Mais, apenas uma está com paralisação total. Nas demais, as aulas seguem normalmente ou com adesão parcial de alguns servidores.

Confira a situação nas escolas consultadas:

  • Escola Estadual Jardim Ipanema – aulas paralisadas após decisão interna.
  • Escola Estadual de Uberlândia (Museu) – funcionamento normal, com apenas um professor em greve.
  • Escola Estadual José Ignácio – paralisação parcial; maioria dos professores mantém aulas, com ajuste de horários.
  • Escola Estadual Custódio da Costa Pereira – aulas normais, sem adesão.
  • Escola Estadual Messias Pedreiro – funcionamento mantido.
  • Escola Estadual Américo René Giannetti – aulas mantidas, com paralisação de funcionárias da cantina.
  • Escola Estadual Parque São Jorge – aulas normais.
  • Escola Estadual Segismundo Pereira – funcionamento normal.
  • Escola Estadual Maria da Conceição Barbosa de Souza – sem paralisação.
  • Escola Estadual Professor Nélson Cupertino – aulas seguem normalmente.

A participação na greve é uma decisão individual. Cada professor ou servidor escolhe se adere ou não ao movimento, o que explica a diferença no funcionamento entre as escolas.

Medo e incerteza assolam servidores

A principal barreira para o crescimento da greve é o bolso, dizem os educadores ouvidos pela reportagem. Em entrevista ao Paranaíba Mais, o professor de sociologia João Pedro Marinho, que leciona na Escola Estadual do Parque São Jorge, na zona sul da cidade, resume o sentimento de muitos colegas: o apoio à causa existe, mas a sobrevivência e o aspecto financeiro falam mais alto.

“A gente precisa lutar por um salário melhor, mas se eu paro, a folha de pagamento é cortada. Se o salário já está parado, como vamos pagar água, energia e outras contas que não param?”, questiona o docente.

A categoria reclama de uma defasagem salarial que chegaria a 41,83% acumulada desde 2019. Contudo, o receio de que o Governo de Minas não restitua os valores descontados durante a paralisação faz com que muitos prefiram aguardar os próximos passos do sindicato antes de cruzar os braços.

“Estamos à frente da educação, ensinando e dando nosso melhor para essas crianças. A população precisa entender que é um movimento coeso. Precisamos desse aumento, porque a defasagem impacta diretamente no nosso trabalho. Continuo com a mesma quantidade de aulas semanais, mas temos mais responsabilidades e um trabalho que está defasado”, afirmou João Pedro.

×

Leia Mais

Governo emite posicionamento

O Governo de Minas informou, em nota, que desde 2019 tem trabalhado para reorganizar as contas públicas e regularizar o pagamento dos servidores.

O Executivo destacou que, em 2022, concedeu reajuste de 10,06% ao funcionalismo; em 2024, houve nova recomposição de 4,62%; e que o 13º salário voltou a ser pago em dia.

Como fica para alunos e pais

Em Uberlândia, até o momento, pais e alunos encontram a maior parte das escolas estaduais em funcionamento. No entanto, como a adesão é individual e o movimento segue em andamento, o cenário pode mudar nos próximos dias.

A orientação é que as famílias acompanhem os comunicados de cada unidade escolar para saber se haverá alteração no horário ou suspensão de aulas.