Enem 2025: como cuidar da saúde mental na reta final dos estudos

Provas do Enem 2025 serão aplicadas nos dias 9 e 16 de novembro; veja como lidar com a ansiedade nos últimos meses de preparação

, em Uberlândia

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A contagem regressiva para o Enem 2025 já começou e, com ela, cresce a ansiedade de milhões de estudantes em todo o país. Mais do que um teste de conhecimento, a prova se tornou um marco na vida acadêmica, capaz de abrir portas para universidades públicas e privadas. Mas a pressão para alcançar uma boa nota pode pesar muito na saúde mental de adolescentes e jovens.

O Paranaíba Mais conversou com um psicólogo de Uberlândia, especialista em orientação profissional e carreira, para entender melhor os impactos psicológicos enfrentados pelos estudantes na preparação para o Enem. Além disso, esta reportagem também trará orientações do especialista para ajudar a preservar a saúde mental neste período desafiador.

Uma pesquisa da Datafolha revelou que na visão dos pais, 34% dos estudantes apresentaram dificuldades para controlar suas emoções, 24% se sentem sobrecarregados e 18% estavam tristes ou deprimidos.

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Estudante cansado enquanto estuda. Enem 2025
Descanso e roteiro de estudos são essenciais para os estudantes que estão em preparação para a graduação – Créditos: Pexels/Divulgação
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Saiba definir prioridades

Em entrevista ao Paranaíba Mais, o psicólogo Allan Jovelino explicou que a ansiedade adquirida durante o vestibular, como o Enem 2025, surge a partir de diversos fatores. Pressão familiar, indecisão quanto ao curso que irá seguir e o medo do desemprego são alguns dos pontos que podem interferir na saúde mental de adolescentes e jovens.

Eles (estudantes) estão pensando muito em quem vão ser. Vão vivenciar agora, no fim do terceiro ano, um luto pelo fim do ensino médio. E aí, se eles não entram numa universidade, vão de estudantes para desempregados. Então, tem uma pressão de próxima etapa”, explicou Allan Jovelino sobre os vestibulandos que estão no terceiro ano do ensino médio.

O psicólogo disse ainda que há diversos tipos de estudantes, e cada um, pode enfrentar a ansiedade à sua maneira. “É  importante entender o contexto no qual o estudante está inserido”.

E como lidar com a ansiedade e ainda assim conseguir estudar?  “Primeiro, tem que ter planejamento”. Para o psicólogo, há alguns pontos importantes que o estudante deve pensar ao definir suas prioridades e limitações. Veja um passo a passo resumido:

  • Programe os seus estudos: defina os temas mais importantes para os estudos, entendendo que há momentos nos quais não será possível aprender todas as disciplinas juntas. O psicólogo dá um exemplo de questionamento que o estudante pode fazer a si: “eu tenho três meses para estudar, quanto eu consigo estudar por dia? Não dá para estudar tudo, 100%. Então quais são as minhas prioridades?”
  • É necessário descansar: ter momentos separados apenas para o descanso. Segundo o psicólogo, a prática adotada por muitos estudantes de “virar a noite estudando” é prejudicial para o sono, o conhecimento e a aprendizagem.
  • Monte uma rotina: o psicólogo indica que o vestibulando monte uma lista de prioridades e tenha uma rotina com exercícios físicos, momentos de estudo e de descanso.
  • Cuide da sua alimentação: Allan Jovelino explica que alimentos com cafeína e excesso de açúcar processados podem deixar a pessoa mais ansiosa. É importante ter uma alimentação com ricos nutrientes.

“A fase do vestibular foi para mim a mais difícil”

A estudante de fisioterapia Geovanna Oliveira Nascimento, 19 anos, teve um burnout, conhecido como Síndrome do Esgotamento Profissional, na época do vestibular. Ao Paranaíba Mais, ela relatou que não conseguia lidar com os seus problemas e sentia que era dominada pela ansiedade.

“Eu falhava muito nos meus estudos e eu ficava me sentindo muito culpada. Eu acho que o vestibular traz uma culpa muito grande para a vida das pessoas, porque qualquer dia que você decide descansar e não estudar, você fica pensando naquilo”, contou a universitária.

Uma semana antes da prova, Geovana Nascimento teve uma piora. Não conseguia comer direito e nem estudar, precisou de atendimento psicológico para aprender a lidar melhor com a ansiedade relacionada aos estudos. Até hoje, a estudante é acompanhada por uma psicóloga e busca a terapia como forma de tratar a ansiedade, que a acompanha até nas provas da faculdade.