Quase metade dos brasileiros vive aperto financeiro, aponta pesquisa
Endividamento atinge 67% dos brasileiros e pressiona orçamento, com cortes em lazer, alimentação e despesas básicas, diz Datafolha
O aperto financeiro faz parte da realidade de milhões de brasileiros. Levantamento do Datafolha aponta que 45% dos brasileiros vivem sob pressão no orçamento, sendo 27% em situação apertada e 18% em nível severo.
O cenário se relaciona ao endividamento. De acordo com a pesquisa, 67% da população possuem algum tipo de dívida, como empréstimos, e 21% estão com pagamentos em atraso.
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Entre os principais compromissos não quitados, o cartão de crédito parcelado lidera, citado por 29% dos entrevistados. Na sequência, aparecem empréstimos bancários (26%) e carnês de lojas (25%).
A inadimplência também ocorre em relações pessoais: entre os que pediram dinheiro a amigos ou familiares, 41% não quitaram a dívida.
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Crédito caro e uso frequente
O levantamento mostra o uso recorrente de modalidades de crédito mais onerosas. Cerca de 27% dos brasileiros utilizam o crédito rotativo do cartão, acionado quando a fatura não é paga integralmente. Essa modalidade tem juros médios de 14,9% ao mês, segundo o Banco Central, o que contribui para o aumento do endividamento.
Além disso, 57% dos brasileiros usam cartão de crédito no dia a dia. Parte dos entrevistados recorre ao parcelamento até para despesas básicas, como supermercado e contas domésticas.
Contas do dia a dia em atraso
O aperto financeiro não se limita às dívidas bancárias. Segundo o Datafolha, 28% dos brasileiros têm contas de consumo atrasadas. Entre os principais débitos estão telefone, celular e internet (12%), tributos como IPTU e IPVA (12%), além de contas de luz (11%) e água (9%).
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Aperto financeiro e corte de gastos
Para lidar com as dificuldades, os brasileiros têm ajustado o consumo. Entre os entrevistados:
- 64% reduziram gastos com lazer;
- 60% diminuíram refeições fora de casa;
- 60% trocaram produtos por opções mais baratas;
- 52% reduziram a compra de alimentos.
Além disso, 50% diminuíram o consumo de água, luz e gás. Outros 40% deixaram de pagar alguma conta, enquanto 38% interromperam o pagamento de dívidas ou reduziram gastos com medicamentos.
Sem reserva e com preocupação
A pesquisa indica fragilidade na organização financeira, com 66% dos brasileiros alegando não possuir reserva de dinheiro.
Entre os que têm alguma economia, a maioria afirma que conseguiria manter as despesas por poucos meses em caso de perda de renda.

Ao apontar os principais problemas atuais, 37% dos entrevistados citaram questões financeiras, como falta de dinheiro, endividamento e custo de vida.
Metodologia
O Datafolha entrevistou 2.002 pessoas com 16 anos ou mais, em 117 municípios brasileiros, nos dias 8 e 9 de abril. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.