Produtores do Cerrado comemoram retirada da tarifa dos EUA sobre café brasileiro

A suspensão da tarifa adicional pelos Estados Unidos anima cafeicultores do Triângulo Mineiro, que esperam recuperação dos preços

Eloisa Oliveira e Juan Madeira , em Uberlândia

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Após a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de retirar a tarifa adicional de 40% sobre produtos agropecuários importados do Brasil, o preço do café registrou uma queda mundial nesta sexta-feira (21). Cafeicultores do Triângulo Mineiro que exportam para solo norte-americano já sentiram um balanço no mercado com a baixa na bolsa de valores de Nova York.

Em entrevista ao Paranaíba Mais, Simão Pedro, presidente executivo da Expocacer, a Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado, se pronunciou sobre a mudança decretada por Trump na quinta-feira (20).

O especialista afirmou que a retirada da tarifa significa uma retomada dos negócios com os americanos. Segundo ele, muitos pequenos e médios compradores deixaram de operar com café brasileiro após a imposição do tarifaço, o que prejudicou significativamente os embarques. Agora, com a eliminação da sobretaxa, espera-se mais liquidez no mercado físico.

“Se continuasse esse tarifaço, com o tempo outros países acabariam substituindo o café brasileiro, e isso afetaria muito a liquidez para nossos produtores”, disse Lima.

Café representando o Prêmio Região do Cerrado Mineiro
Produtores de café no Cerrado Mineiro comemoram a retirada da tarifa de 40% pelos EUA, após forte queda nas exportações – Crédito: Freepik/Reprodução

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Para o economista Ricardo Buso, a mudança representa uma vitória da diplomacia e da área econômica brasileira. Ele destaca que manter as tarifas seria insustentável para a própria economia norte-americana, pressionada pela inflação e pela necessidade de suprimentos agropecuários.

“Fez bem a diplomacia brasileira em ter essa leitura e não fechar acordos prejudiciais, como alguns países fizeram”, afirmou Buso em entrevista ao Record News.

Mercado reagiu, mas cautela permanece

Na bolsa de Nova York, os preços do café reagiram à decisão com queda, reflexo da expectativa de que os compradores deixem os contratos futuros e voltem a operar no mercado físico. Conforme especialistas, a oferta brasileira tende a aumentar nos EUA, agora que não há o obstáculo tarifário adicional.

Há, no entanto, muitas perguntas: como será o ritmo de embarques? A pressão nos preços se manterá? “Hoje foi a primeira reação, agora temos que ver como serão os embarques, se terá pressão ou se esse movimento de vendas será moderado. O mercado tem mais perguntas e precisamos de tempo para saber como isso vai se desenrolar economicamente”, disse Simão Pedro.

Histórico recente no setor cafeeiro

A imposição da tarifa havia gerado consequências graves. Segundo o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), as exportações para os EUA despencaram. Em agosto de 2025, houve queda de 46,6% nas remessas, em comparação com o mesmo período de 2024.

Para cooperativas como a Expocacer, a tarifa de 50% (somando 10% mais 40%) representava risco de perda de competividade, especialmente para mercados onde o café brasileiro tem forte presença.

“O efeito imediato com a retirada das tarifas é essa retomada dos negócios, a reabertura das exportações para os EUA. Esse cenário é positivo para dar mais liquidez aos negócios”.

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Visão do governo

O governo brasileiro celebrou a retirada das tarifas. O Ministério das Relações Exteriores disse que a medida reforça o valor do diálogo diplomático e a confiança nos agentes privados do agronegócio.

A Casa Branca, por sua vez, justificou a reversão com base em “progresso inicial nas negociações” com o Brasil, segundo o texto oficial da ordem executiva.