Entenda o plano de reestruturação dos Correios, que prevê 15 mil demissões

Recuperação da crise conta com empréstimo de R$ 8 bilhões e corte de benefícios dos servidores; plano de reestruturação dos Correios foi anunciado na segunda (29)

, em Uberlândia

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Os Correios divulgaram o plano de reestruturação da companhia, que prevê o fechamento de cerca de mil agências e demissão voluntária de 15 mil funcionários até 2027. As medidas foram anunciadas pelo presidente da estatal, Emmanoel Rondon, em uma coletiva de imprensa na segunda-feira (29).

O plano já era esperado em função dos resultados negativos que a estatal vem acumulando desde 2022, déficit estrutural de R$ 4 bilhões. Em 2025 os Correios registram um saldo negativo de R$ 6 bilhões nos nove primeiros meses do ano e está com um patrimônio líquido negativo de R$ 10,4 bilhões.

Plano de reestruturação dos Correios
Plano de reestruturação dos Correios terá demissões voluntárias e corte de benefícios – Créditos: Joédson Alves/Agência Brasil

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O plano de reestruturação foi anunciado em meio a greve dos Correios, iniciada na última quarta-feira (24). A paralisação é por tempo indeterminado e foi decidida após assembleias da categoria que rejeitaram uma proposta apresentada no âmbito do Tribunal Superior do Trabalho (TST).

O plano de reestruturação dos Correios

Os Correios esperam reduzir em R$ 2,1 bilhões anuais as despesas com pessoal através das demissões voluntárias e os cortes de benefícios. Estão previstos dois planos de demissão voluntária (PDVs), sendo um no próximo ano e outro em 2027. A estatal também deverá ter cortes nos planos de saúde e de previdência dos servidores.

“O plano (de saúde) tem que ser completamente revisto e a gente tem que mudar a lógica porque hoje ele onera bastante. Ele tem uma cobertura boa para o empregado, mas, ao mesmo tempo, financeiramente insustentável para a empresa”, informou o presidente dos Correios.

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Estatal pode abrir capital em 2027

Além do fechamento de agências e dos PDVs, os Correios ainda informaram que tomaram um empréstimo de R$ 12 bilhões com bancos para reforçar o caixa da companhia, assinado na última sexta-feira (26). No entanto, ainda faltam outros R$ 8 bilhões para equilibrar as contas em 2026.

A estatal também estuda a possibilidade de abrir seu capital a partir de 2027. Hoje, a companhia é 100% pública, mas pode se tornar uma empresa de economia mista, como é hoje a Petrobras e o Banco do Brasil.

“Esse plano vai além da recuperação financeira. Ele reafirma os Correios como um ativo estratégico do estado brasileiro, essencial para integrar o território nacional, garantir acesso igualitário a serviços logísticos e assegurar eficiência operacional em cada região do país, especialmente onde ninguém mais chega”, concluiu Rondon.