Desemprego em Minas Gerais atinge menor nível desde 2012; veja os números
Estado encerrou 2025 com taxa de desemprego de 3,8%, a menor desde o início da série histórica; serviços e comércio lideram a geração de vagas
O desemprego em Minas Gerais atingiu o menor nível da série histórica em 2025. O estado encerrou o ano com taxa de 3,8% da população economicamente ativa sem trabalho, abaixo da média nacional de 5,1%, segundo dados do Boletim do Mercado de Trabalho Mineiro. O resultado aproxima Minas do chamado pleno emprego, cenário em que a maior parte das pessoas desocupadas está apenas em transição entre uma ocupação e outra.
Os dados constam no novo Boletim do Mercado de Trabalho Mineiro, elaborado pelo Observatório do Trabalho de Minas Gerais com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e no Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego.
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Mais de 10,8 milhões de pessoas ocupadas
Minas Gerais contabilizou 10,8 milhões de pessoas ocupadas no quarto trimestre de 2025. Em comparação com o período anterior à pandemia de covid-19, o estado ganhou 658 mil postos de trabalho, alta de 6,5%. No mercado formal, o estado também bateu recorde. Em março de 2026, havia 5,06 milhões de vínculos com carteira assinada, o maior número da série histórica.
Nos últimos 12 meses, Minas Gerais gerou cerca de 72 mil empregos formais. Somente no primeiro trimestre de 2026, o saldo já acumulava 70,6 mil vagas.
Serviços e comércio lideram crescimento
O setor de serviços foi o principal responsável pela expansão do mercado de trabalho mineiro. Entre 2012 e 2025, o segmento criou 1,14 milhão de postos de trabalho e alcançou mais de 5,4 milhões de ocupados.
Já o comércio adicionou 231 mil vagas no mesmo período e emprega atualmente cerca de 1,96 milhão de trabalhadores, o equivalente a aproximadamente 18% do total de ocupados no estado.
Entre os destaques recentes estão:
- Administração pública, educação e saúde: crescimento de 198 mil trabalhadores entre 2022 e 2025;
- Transporte e armazenagem: alta de 18,1%, com mais 91 mil ocupados;
- Informação, comunicação e atividades financeiras: avanço de 8,9%, com mais 93 mil trabalhadores;
- Alojamento e alimentação: crescimento de 12,2%, com acréscimo de 59 mil postos.
Segundo o estudo, o desempenho desses segmentos está ligado à expansão do setor de serviços, ao envelhecimento da população, à digitalização da economia e ao fortalecimento da logística impulsionada pelo comércio eletrônico.
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Agropecuária perde mais de 130 mil postos
Enquanto serviços e comércio avançaram, alguns setores recuaram. A agropecuária apresentou a maior queda no período analisado. Entre 2022 e 2025, o número de trabalhadores caiu de 1,26 milhão para 1,12 milhão, redução de 134 mil ocupações, equivalente a 10,7%.
O boletim atribui a diminuição principalmente à mecanização das atividades rurais, especialmente nas culturas de café, soja, milho e cana-de-açúcar. O avanço tecnológico reduziu a demanda por mão de obra em diferentes etapas da produção agrícola.
Os serviços domésticos também registraram retração, com perda de cerca de 29 mil postos de trabalho entre 2022 e 2025.
Informalidade diminui, mas ainda afeta milhões
Apesar do avanço do emprego formal, a informalidade continua sendo um desafio. No quarto trimestre de 2025, a taxa de informalidade em Minas Gerais foi de 36,5%, abaixo da média nacional, de 37,6%. Mesmo assim, entre 3,7 milhões e 4 milhões de trabalhadores permanecem sem acesso integral às garantias trabalhistas e previdenciárias.
De acordo com o estudo, a maior participação da indústria e do funcionalismo público ajuda a manter a informalidade mineira abaixo da média brasileira.
Mercado aquecido aumenta renda dos trabalhadores
O crescimento do emprego veio acompanhado de aumento da renda. O rendimento médio mensal dos trabalhadores mineiros passou de R$ 2.763 para R$ 3.250 entre o quarto trimestre de 2022 e o mesmo período de 2025. A alta real foi de 17,6%, acima da registrada no Brasil, de 12,8%.

Os maiores ganhos ocorreram entre trabalhadores com menor escolaridade e aqueles com ensino superior completo. Quem possui diploma universitário passou a receber, em média, R$ 6.093, valor 14,1% superior ao registrado em 2022.
Rotatividade preocupa
Apesar dos indicadores positivos, o levantamento aponta um sinal de alerta. A taxa de rotatividade do emprego formal em Minas Gerais chegou a 35,1%, acima da média nacional, de 33,3%, e figura entre as mais elevadas do país. Na prática, isso significa que, para cada 100 trabalhadores com carteira assinada, cerca de 35 foram admitidos ou desligados ao longo de um ano.
O cenário indica forte movimentação entre postos de trabalho e levanta questionamentos sobre a estabilidade dos empregos gerados.
Desemprego em Minas Gerais cai, mas desafios permanecem
O boletim mostra que o desemprego em Minas Gerais está no menor patamar da série histórica, acompanhado pelo crescimento da formalização e pelo aumento da renda dos trabalhadores.
Ao mesmo tempo, a elevada rotatividade, a redução de empregos na agropecuária, a persistência da informalidade e a concentração dos ganhos em determinados segmentos indicam desafios para a consolidação desse avanço no longo prazo.
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