Banco Central deve elevar Selic ao maior patamar em quase 20 anos

Comitê de Política Monetária anuncia decisão nesta quarta-feira (19); alta dos juros visa conter inflação e esfriar a economia

, em Uberlândia

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve elevar a taxa básica de juros da economia brasileira para 14,25% ao ano. Caso confirmado, este será o maior nível da Selic desde agosto de 2006, quando a taxa chegou a 14,75% ao ano, no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Brasília (DF), 26/10/2023, Prédio do Banco Central em Brasília.
Banco Central deve elevar Selic ao maior patamar em quase 20 anos – Crédito: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Essa será a quinta alta consecutiva da Selic, medida adotada pelo Banco Central para conter a inflação em um cenário de economia aquecida. O objetivo é desestimular o consumo e reduzir a pressão sobre os preços. O anúncio da decisão do Copom está previsto para o fim da tarde.

Contexto global e impacto interno

A expectativa de alta dos juros no Brasil ocorre no mesmo dia em que o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, divulgará sua decisão sobre a taxa de juros americana. A previsão do mercado é de manutenção dos juros entre 4,25% e 4,50% ao ano, enquanto investidores avaliam os possíveis impactos das tarifas comerciais impostas pelo ex-presidente Donald Trump sobre a inflação e o crescimento econômico nos EUA.

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No Brasil, essa também será a segunda reunião do Copom sob a presidência de Gabriel Galípolo, indicado por Lula. Pela primeira vez, a maioria dos diretores do BC são indicados pelo atual governo, o que pode influenciar nas decisões da autarquia, que ganhou autonomia em 2021. Até o fim do ano passado, a maioria dos integrantes do Copom havia sido indicada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

Inflação em alta e preocupação com crescimento

A inflação segue como um dos principais desafios econômicos do país. Em fevereiro, o índice oficial de inflação ficou em 1,31%, maior patamar para o mês desde 2003. No acumulado de 12 meses, o avanço é de 5,06%, superando as expectativas do mercado. O Banco Central tem como meta uma inflação de 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.

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Fatores como o aquecimento do mercado de trabalho, aumento dos gastos públicos e oscilações no cenário internacional, que pressionam o dólar, são apontados como principais influências para a alta dos preços. Diante disso, o BC avalia que uma desaceleração da economia é necessária para conter a inflação.

Críticas e efeitos da alta dos juros

A estratégia de elevar os juros tem sido alvo de críticas dentro do governo. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, classificou a medida como uma “imbecilidade”, argumentando que a decisão pode prejudicar o crescimento econômico e o mercado de trabalho.

Entre os principais efeitos esperados com a alta da Selic estão:

  • Juros bancários mais altos: a Selic impacta as taxas cobradas por bancos, tornando o crédito mais caro para empresas e consumidores.
  • Desaceleração da economia: consumo e investimentos produtivos tendem a ser reduzidos, afetando o PIB, o emprego e a renda.
  • Aumento do custo da dívida pública: com juros mais altos, o governo gasta mais com serviço da dívida, o que pode afetar as contas públicas.
  • Impacto nos investimentos: aplicações em renda fixa, como Tesouro Direto e debêntures, tornam-se mais atrativas, enquanto o mercado de ações pode perder fôlego.
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Apesar das críticas, o Banco Central defende que o aumento dos juros é necessário para manter a inflação dentro das metas. O próximo Relatório de Inflação será divulgado no fim de março e deve trazer novas projeções para os próximos anos.