“NÓS MATERNARSOLO” estreia em Uberlândia e retrata a realidade de mães negras solo
Documentário retrata a realidade de mulheres negras que criam filhos sozinhas e propõe reflexão sobre racismo, machismo e políticas públicas
O filme uberlandense NÓS MATERNARSOLO estreia nesta sexta-feira (6), às 19 horas, na Casa de Cultura Graça do Aché (Av. Cesário Crosara, 4187). O documentário conta a história de cinco mulheres negras que criam seus filhos sozinhos, e o objetivo do projeto é conscientizar a sociedade sobre uma realidade que, no Brasil, se estende a 1,37 milhão de mulheres, segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para assistir ao filme é necessário preencher o formulário disponível neste link.
NÓS MATERNARSOLO nasceu da experiência pessoal da diretora e roteirista Carolina Clementino, que cria três filhos sem o auxílio dos pais, e apresenta sua história e de outras quatro mulheres: Jussara Rosa, Valesca Silva, Karina Rodrigues e Fernanda Suelen. Segundo a diretora, a história destas mulheres se entrelaçam não apenas pela temática central à obra, mas pelas experiências compartilhadas que revelam pontos de conexões profundos.
“O que aproxima uma narrativa da outra são elementos como a ausência de rede de apoio, os desafios financeiros, o impacto do racismo e do machismo, além das dores emocionais que se repetem em diferentes trajetórias. Mais do que mostrar dificuldades individuais, o filme evidencia que essas vivências não são isoladas: elas se repetem entre mulheres negras, criando um fio condutor de reconhecimento e identificação”, explicou Clementino ao Paranaiba Mais.
Com o NÓS MATERNARSOLO, a artista não busca apenas conscientizar, “mas também provocar mudanças importantes na sociedade, como mais respeito e valorização das mulheres negras, políticas públicas que apoiem mães solo e uma luta coletiva contra o racismo”.
A fotografia do filme uberlandense foi pensada pra destacar emoções e dar proximidade ao público, vizando reforçar o depoimento íntimo e direto de suas personagens. Segundo a diretora, o casebre de barro do Parque Siquerolli, cenário do filme, representa uma simbologia de acolhimento e resistência, fazendo referência a espaços de memória coletiva, como os quilombos.
NÓS MATERNARSOLO é um projeto incentivado pela Lei Paulo Gustavo e pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (PMIC), da Secretaria Municipal de Cultura.
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NÓS MATERNARSOLO e história mais do que feminina
Existe uma potencialidade transformadora na história de Jussara Rosa, uma das personagens do filme. A técnica em enfermagem, de 50 anos, criou 4 filhos sozinha. Ao Paranaíba Mais, contou que se engravidou aos 16 anos, em um período dificil e de muitas perdas na vida.
“Na época, eu não tinha nenhuma formação e informações. Era uma menina grávida, com apenas a ajuda de Deus. No decorrer dos anos, passei por episódios de violência doméstica, tentativas de feminicídio por parte do pai dos meus 4 filhos. Conheci o racismo e o preconceito”, contou.
Ela também explica que pelo fato de ser mãe solo, sempre se sentiu mal vista moralmente e humilhada. “O fato de ser uma mulher negra semianalfabeta sempre foi um agravante imposto pelo racismo estrutural e o preconceito, algo que não é restrito a Uberlândia.
Jussara conta que, ao se encontrar com as outras mulheres de NÓS MATERNARSOLO, se identificou em todos os sentidos, seja em relação à realidade social das outras mães, na maneira com que elas pensavam e sentiam o mundo, e na busca por entender e transformar a realidade.
Ela espera que, com o filme, todas as mulheres possam ser bem vistas e valorizadas, independente da cor da sua pele, religiosidade e poder aquisitivo. “Serem olhadas e reconhecidas como seres humanos, com suas diferenças”, disse.
