Chegar a uma cidade desconhecida apenas com uma mochila, muitos sonhos e a vontade de vencer. Essa foi a realidade de Sérgio Santos, baiano natural de Pindorama, distrito de Uibaí, que desembarcou em Uberlândia em 2014 decidido a construir uma nova história.
Hoje, mais de uma década depois, ele celebra a conquista de empreender no ramo da gastronomia e de manter viva a cultura nordestina por meio da culinária.
Sérgio Santos saiu da Bahia para o Triângulo Mineiro para buscar novas oportunidades – Crédito: Reprodução/ arquivo pessoal
Ao recordar os primeiros dias na cidade, Sérgio lembra da imponência da rodoviária e da esperança que carregava consigo.
“Cheguei em Uberlândia em 2014, apenas com o sonho de vencer na vida. Uma mochilinha, me lembro até hoje de chegar naquela rodoviária e achar tudo muito grande. Eu tinha apenas a vontade de vencer na vida”, conta.
Nordestinos em Uberlândia
Essa é apenas uma das várias histórias de nordestinos que saíram de suas cidades natais para buscar mais oportunidades de trabalho no Triângulo Mineiro.
Uberlândia tem se tornado cada vez mais um lar para milhares de nordestinos que encontraram na cidade oportunidades para empreender, construir novas histórias e manter vivas as tradições de suas terras de origem.
Representantes da Bahia, Pernambuco, Ceará, Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte, Maranhão e Piauí se organizam para fortalecer a cultura nordestina e ampliar o reconhecimento da contribuição que dão ao desenvolvimento do município.
A Semana da Cultura Nordestina é celebrada anualmente entre os dias 2 e 8 de agosto. A data homenageia o nascimento e o legado de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, que faleceu em 2 de agosto. O período é dedicado a valorizar as tradições, a música, a culinária e as riquezas populares do Nordeste brasileiro. Por isso, o Paranaíba Mais traz histórias reais de nordestinos que escolheram Uberlândia como sua casa.
Uma mochila e um sonho
Sérgio, de 31 anos, é proprietário da Coffeeaba, uma cafeteria nordestina que aposta na valorização da culinária típica da região. Além da cafeteria, o empreendedor oferece serviços para cafés da manhã, almoços, jantares, casamentos, formaturas e diversos eventos, levando pratos tradicionais como cuscuz, tapioca e baião de dois.
Cuscuz é um prato típico da culinária nordestina – Crédito/ Reprodução arquivo pessoal
Localizado no bairro Ipanema, a culinária nordestina se mantém viva no estabecimento.
Os primeiros empregos foram em restaurantes, onde encontrou a oportunidade de transformar uma paixão de infância em profissão. Segundo ele, o gosto pela cozinha nasceu dentro de casa, com os ensinamentos da mãe.
“Desde pequeno eu sempre cozinhei. Minha mãe me ensinou a cozinhar no fogão e eu sempre tive essa paixão pela culinária. Trabalhando em restaurante fui me aperfeiçoando, fazendo cursos e investindo em mim e na minha profissão.”
Um dos diferenciais do negócio está na autenticidade dos ingredientes. Os temperos utilizados nas receitas vêm diretamente do Nordeste, preservando o sabor característico da culinária regional.
“É uma comida simples, mas feita com muito amor. Meus temperos vêm todos do Nordeste. Quero entregar a essência nordestina, desde o coentro, o açafrão, o corante e tantos outros ingredientes que fazem parte da nossa cultura.”
Outra história nordestina no coração de Uberlândia
A cearense Maria de Fátima, de 73 anos, fez da saudade de sua terra natal a motivação para preservar e divulgar a cultura nordestina na cidade. Depois de uma trajetória marcada pelo trabalho social e pela atuação em movimentos comunitários, ela encontrou na gastronomia e na cultura uma forma de manter vivas as tradições de suas origens e de acolher milhares de nordestinos que vivem no Triângulo Mineiro.
Movida por esse sentimento, Maria decidiu criar um espaço onde pudesse compartilhar os sabores, os costumes e a identidade nordestina com a população de Uberlândia.
Assim nasceu o Restaurante Mandacaru do Nordeste, empreendimento que começou no bairro Roosevelt e, posteriormente, foi transferido para o Mercado Municipal de Uberlândia, onde permaneceu por uma década. Autalmente, o empreendimento se encontra atualmente no Pátio Sabiá, no bairro Tibery.
“Resolvi trabalhar com a minha cultura criando o Restaurante Mandacaru do Nordeste. O Mandacaru começou no Roosevelt, depois foi para o Mercado Municipal, onde ficou durante dez anos.”
Maria de Fátima mora em Uberlândia há mais de 40 anos – Crédito: Reprodução/arquivo pessoal
Hoje, além da gastronomia, ela mantém um ambiente repleto de objetos, artesanato e elementos que remetem às tradições do Nordeste, funcionando como um verdadeiro ponto de encontro para quem deseja reencontrar suas raízes.
“O espaço que eu represento hoje é uma representação dos nove estados através de objetos. É como se fosse a alma do nordestino representada em cada peça. Quando as pessoas entram na loja, elas se encontram com o Nordeste. É uma conexão com o lugar de onde vieram.”
Maria também é responsável pela Casa Cultural Nordestina, um espaço dedicado à preservação da memória e da identidade do povo nordestino em Uberlândia.
“Tem também a Casa Cultural Nordestina, que é uma casa de memórias. Eu e o nosso grupo conseguimos representar o nosso Nordeste aqui.”
O empreendimento de Maria de Fátima se encontra atualmente no Pátio Sabiá – Crédito: Reprodução/ arquivo pessoal
Cultura nordestina
Outro empreendimento nordestino em Uberlândia é o Arte Xiques Artenanatos, do pernambucano Marcosuel, de 35 anos. Marcosuel contou com o apoio de Maria de Fátima quando chegou na cidade mineira em 2023.
“Fui bem acolhido pela dona Fátima do Ceará. Tenho uma loja de artesanato aqui com produtos nordestinos e foi quando conheci ela”, disse.
Segundo o pernambucano, ainda há o desejo de que a presença e a importância dos nordestinos sejam mais reconhecidas em Uberlândia.
“Precisamos ser mais reconhecidos aqui, mas estamos caminhando juntos, fortalecendo nossas histórias e raízes e trazendo um pouquinho do Nordeste para as terras mineiras”.
Marcosuel tem uma loja de artigos nordestinos em Uberlândia – Crédito: Reprodução/ arquivo pessoal
Encontro entre nordestinos
Como parte desse movimento de valorização cultural, a comunidade promove todo mês um encontro na Casa Cultural. O evento é um momento de confraternização, com um café, troca de experiências e apresentação de aspectos da cultura dos diferentes estados nordestinos representados no grupo.
Os nordetinos se encontram uma vez a cada mês para compartilhar histórias – Crédito: Reprodução/ arquivo pessoal
Para ficar por dentro das principais notícias do Triângulo Mineito continue acompanhando o Paranaíba Mais.