Tatuagem de Neymar representa volta por cima de jovem de Uberlândia

Jovem de Uberlândia faz tatuagem de Neymar no rosto e explica relação com ídolo após lesão no joelho

, em Uberlandia

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Allan Kennedy, morador de Uberlândia, publicou nas redes sociais o momento em que fez uma tatuagem de Neymar no rosto, após a convocação do atacante para a Seleção Brasileira. O jovem de 22 anos, ex-jogador das categorias de base do Uberlândia Esporte Clube (UEC), afirma que sua relação com o ídolo vai além do futebol. Segundo ele, a identificação aumentou após sofrer uma lesão semelhante à do camisa 10 do Santos.

Tatuagem de Neymar representa luta após grave lesão
“Teve muita coisa que indiretamente eu aprendi com o Neymar”, diz Allan – Crédito: Arquivo Pessoal

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Em entrevista ao Paranaíba Mais, Allan contou que começou a gostar de futebol ainda na infância, influenciado pelos momentos que viveu com o pai. Ele atuou em equipes de base em Brasília e, em 2020, aos 16 anos, retornou para Uberlândia para defender o UEC nas categorias de base. O projeto, porém, foi interrompido pela pandemia.

Após a retomada das atividades esportivas, Allan passou a jogar nas categorias de base da Essube, em Uberlândia. Segundo ele, a rotina intensa acabou prejudicando seu desempenho.

“Um dos treinos era no Morumbi, que fica a 22 quilômetros de onde eu moro. Eu ia de bicicleta, trabalhava em uma padaria e acordava às 4h da manhã. Às vezes dava tempo de almoçar, às vezes não. Ir pedalando me deixava muito cansado fisicamente. Dei uma decaída quando minha bisavó faleceu e fui dispensado”, relatou  em entrevista ao Paranaíba Mais. 

Em 2024, Allan participou de uma seletiva do Uberlândia Esporte Clube e passou a integrar o elenco que disputaria a Copa Amvap, competição preparatória para o Campeonato Mineiro.

“No meio do campeonato, fui relacionado para o primeiro jogo, em Tupaciguara. Na semana seguinte, um dia antes de jogarmos em Uberlândia, tive uma lesão gravíssima no joelho. Foi um pouco pior que a do Ney”, afirmou.

Allan sofreu rompimento do ligamento cruzado anterior, do ligamento colateral medial e também teve lesão no menisco. “E aí, teve muita coisa que eu tirei de aprendizado com ele (Neymar), por toda a trajetória. Ele, graças a Deus, teve as oportunidades de tratar da lesão dele. Eu não tive, tive que continuar da forma que eu conseguia. Eu não pude atuar mais profissionalmente, só que eu continuei jogando campeonatos amadores”. 

Atualmente, Allan trabalha como barbeiro e segue atuando no futebol amador em Uberlândia. Segundo ele, já passou por equipes como Vidas em Cristo e Desportivo Uberlândia, disputando campeonatos de várzea.

“Enquanto houver 1% de chance, terei 99% de fé”: a relação com Neymar 

Muito antes da tatuagem de Neymar, Allan afirma que acompanha o jogador desde o início da carreira do atacante e que aprendeu lições importantes observando a trajetória do craque santista.

“Eu era criança quando vi uma reportagem mostrando o Neymar jogando campeonatos escolares. Ele era muito novo e já se destacava entre meninos maiores. Depois disso, comecei a acompanhar a carreira dele, desde a chegada ao Santos até momentos marcantes, como o Prêmio Puskás contra o Flamengo”, contou.

Segundo ele, ao acompanhar a carreira de Neymar desde mais novo, a postura do craque o ajudou a passar pelos momentos mais difíceis. “Aprendi muito com aquela frase dele: ‘Enquanto houver 1% de chance, terei 99% de fé’. E foi isso que me manteve. Essa foi a base do meu ídolo, pra me manter em pé e fazer com que eu nunca desistisse”. 

Allan conta que vivia um sonho, como o de vários meninos no Brasil, de se tornar um jogador de futebol. Depois de ter a lesão parecida com a de Neymar, este sonho se tornou distante. 

“Ele me tirou do fundo do poço quando eu estava realizando um sonho. Acabou que depois da lesão que eu tive no joelho, eu entrei numa depressão forte. Ficava trancado dentro de casa. Fiquei mal e não fiz mais nada, por mais de 5 meses. Perdi a metade de um ano nessa. Às vezes via vídeos do Neymar, de quando ele machucou em 2023. Eu me identifiquei muito com a situação”, relatou Allan. 

Allan diz que não teve oportunidade de operar a sua lesão e foi “levando a vida do jeito que dava”. Os ensinamentos do craque santista foram fundamentais para que ele voltasse a ver possibilidades em sua vida, algo que poucos sabem sobre sua tatuagem de Neymar. Começou a fazer cursos técnicos e agora possui uma barbearia. 

“A maneira como ele reage, ou às vezes não reage, perante a muita situação constrangedora, como a gente já viu o Neymar passar por tudo. Tanto dentro de campo quanto fora: palavras malditas, energias negativas. Eu me incentivei muito a querer dar a volta por cima. A gente vê que Neymar não trabalhando só fisicamente, dentro de campo, mas como ele trabalha psicologicamente também fora dele. Para lidar tanto com os problemas pessoais quanto os problemas mentais”.

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A convocação e a tatuagem de Neymar

Allan conta que já queria fazer uma tatuagem no local em que fez a tatuagem de Neymar, e que a convocação só veio para bater o martelo a respeito da homenagem ao camisa 10. “Eu encaro a convocação dele como um desafio que ninguém estava esperando que teria a probabilidade de acontecer. Era muito debatido, desde que ele se machucou como eu”.

A tatuagem de Neymar de Allan foi feita ao lado do seu rosto. O decalque colocado emabixo dos olhos foi aplicado apenas para gravação

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“Eu estava com a expectativa muito alta, e mesmo ele não tendo sido convocado antes da convocação definitiva, eu sabia que de última hora ele iria. No mesmo dia da convocação eu mandei mensagem pro tatuador e marquei o horário com ele na terça (um dia após a convocação), no primeiro horário dele”

 As críticas nas redes sociais

Ao fazer a tatuagem de Neymar no rosto, Allan conta que sofreu muitos ataques nas redes sociais, algo que tomou uma proporção que ele diz não ter imaginado. “Quando eu fiz a tatuagem eu imaginei que poderia dar uma repercussão, mas uma repercussão regional, no bairro, crítica ali, uma crítica aqui”.

“E aí entra a parte onde eu trabalhei psicologicamente, onde eu me inspirei muito nele. Aprendi a não ligar para a opinião dos outros, se o que você está fazendo é aquilo que você quer fazer. É que nem aquele meme dele: ‘Tá puto? Morde o cotovelo.”, concluiu.