Modo mãe ativado ou no automático? Psicóloga lança livro e propõe resgate do afeto na maternidade real
A psicóloga Fabiana Vitorino abordou temas como culpa, carreira e o conceito de "mãe possível". Veja a terceira reportagem da série Modo Mãe Ativado, promovida pelo Veiling Holambra, em Uberlândia
Entre rotinas intensas e a busca por conciliar diferentes papéis, muitas mulheres vivenciam a maternidade de forma automática. A apresentadora Mônica Cunha falou com a psicóloga Fabiana Vitorino sobre os tópicos de seu novo livro, “Eu, Mãe, Mulher e Psi — não necessariamente nessa ordem”.
Assista o terceiro episódio da série Modo Mãe Ativado aqui:
A construção do afeto e o fim do mito romântico
Fabiana Vitorino destacou a diferença entre o conceito de “mãe ativada” e o comportamento automático diante das demandas cotidianas: “A mãe precisa ativar esse lugar da maternidade. Apesar de existir um mito romântico de acreditar que temos esse amor incondicional e que basta o filho nascer para a mãe já estar superconectada, é preciso reconhecer que esse amor é construído. É uma escolha. Essa ativação é um movimento de construção, não é algo automático”, explicou.
A psicóloga alertou que as cobranças sociais costumam omitir o estranhamento inicial que pode ocorrer após o parto. Segundo ela, o nascimento exige o início de um relacionamento real, sujeito a dúvidas e angústias, e não apenas a execução mecânica de cuidados como amamentar, dar banho e cumprir horários.
A importância da rede de apoio e os riscos de anulação
A rotina intensa e o excesso de demandas são apontados pela especialista como fatores que podem silenciar a identidade da mulher. Fabiana pontuou a relevância de uma rede de apoio — composta por parceiros, familiares ou amigos — para permitir que a mãe mantenha cuidados básicos consigo mesma, especialmente no período do puerpério.
A psicóloga observou que a dificuldade de retomar a própria individualidade pode se estender por anos: “À medida que o filho cresce e vai para a escola, a mãe consegue voltar um pouco para si. Mas é tão sério que algumas mulheres, mesmo com o afastamento e o crescimento dos filhos, se perdem de si mesmas. Elas não conseguem retomar o fio da meada de sua nova identidade ou de como viver essa nova realidade”.
Como forma de monitorar esse esgotamento, ela sugere atenção aos sinais do corpo e à perda de paciência no trato com as crianças, momentos que exigem pausa e o estabelecimento de limites saudáveis.

O equilíbrio entre carreira e maternidade
O conflito entre o desenvolvimento profissional e os cuidados com os filhos é um dos eixos centrais do livro da autora. Fabiana recorre à psicologia para defender o conceito de uma mãe “suficientemente boa” — aquela que aceita suas falhas e limitações.
“Quando você consegue reconhecer e assumir esse lugar, a maternidade fica mais leve. Cada mulher encontrará o seu caminho. Há aquelas muito conectadas ao trabalho, que passarão menos tempo com o filho por necessidade financeira ou para manterem sua individualidade. Elas enfrentarão o desafio da culpa materna, mas estarão cuidando de algo importante para si”, ressaltou Fabiana Vitorino.
E ela compartilhou a própria experiência: optou pelo afastamento parcial nos primeiros três anos da primeira filha, mas decidiu retomar as atividades profissionais mais cedo após o nascimento do segundo filho para recuperar sua identidade profissional. Fabiana enfatizou que não existe uma resposta certa, sendo cada arranjo familiar único.
A humanização do erro materno
Para Fabiana, a desmistificação da perfeição materna é benéfica tanto para as mulheres quanto para o desenvolvimento emocional das crianças.”A mãe pode errar porque ela é humana. Se todos nós erramos, por que a mãe não erraria? Quando ela se permite olhar para isso e pedir desculpas ao filho — explicando que estava brava ou cansada —, ela ensina que a criança também pode errar e se desculpar em suas próprias relações. Isso gera menos cobrança no crescimento”.
Ao concluir a reflexão sobre sua trajetória de oito anos na maternidade, a psicóloga resumiu o aprendizado na necessidade de assumir a vulnerabilidade e definir prioridades claras, apontando que os filhos atuam como portais para a ampliação da consciência e o autoconhecimento.
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