Aumento da autocensura: medo de conflito faz brasileiros reduzirem debate político no WhatsApp

Estudo aponta uma maior autocensura sobre política no Brasil, enquanto a Unesco alerta para a queda da liberdade de expressão nos últimos anos

, em Uberlândia

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A polarização e a agressividade do debate público estão levando os brasileiros a uma crescente autocensura nas plataformas digitais, especialmente no WhatsApp. É o que aponta o estudo Os Vetores da Comunicação Política em Aplicativos de Mensagens, divulgado pelo InternetLab, um centro independente de pesquisa focado em internet e direitos humanos. Segundo o levantamento, mais de matade dos entrevistados sente medo de emitir opinião política no WhatsApp, devido à agressividade do ambiente.

Estudo aponta crescente da autocensura no WhatsApp
Grupos de família e amigos são os que mais geram medo de se expressar politicamente nos usuários – Créditos: Natee Meepian’s Images/Canva

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Aumento da autocensura

A pesquisa apontou que, entre 2021 e 2024, a frequência de mensagens sobre política, políticos e governo caiu significativamente. Entre grupo de amigos, a frequência despencou de 38% para 24%; já em grupos de família, o compartilhamento recuou de 34% para 27%.

Os usuários estão desenvolvendo “normas éticas próprias para lidar com essa comunicação política”, como explica Heloisa Massaro, diretora do InternetLab. Mais de metade dos entrevistados diz que se policia mais sobre o que fala, enquanto 50% evita o tema em grupos de família, para evitar brigas.

Cerca de 29% dos participantes chegou a sair de grupos onde não se sentiam à vontade para expressar suas visões. Conforme a pesquisa, esse receio se manifesta em todas as vertentes ideológicas, atingindo 63% da esquerda, 66% do centro e 61% da direita.

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O alerta global da Unesco: liberdade de expressão em crise

O fenômeno da autocensura brasileira reflete um retrocesso global na liberdade de expressão. A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) alertou nesta segunda-feira (15) que a liberdade de expressão caiu 10% no mundo entre 2012 e 2024, uma queda comparável à ocorrida durante a Primeira Guerra Mundial.

O estudo Tendências do jornalismo destaca que o recuo é impulsionado por pressões políticas, sociais e comerciais, incluindo o domínio das grandes tecnologias na propagação de desinformação e discurso de ódio.

O relatório da Unesco ainda reforça a crise democrática global, indicando que 72% da população mundial vive sob regimes não democráticos, o nível mais alto desde 1978. A situação brasileira, com o aumento da cautela em debater política, reforça o cenário de enfraquecimento da esfera pública.

Ameaças ao Jornalismo

Segundo a pesquisa, entre 2022 e 2025, 185 jornalistas morreram, um aumento de 67% em relação ao período anterior. Enquanto isso, 85% dos autores das mortes ficaram sem condenação.

Globalmente, a autocensura entre repórteres subiu 63% de 2012 a 2024, espelhada no receio que se verifica nos grupos de WhatsApp brasileiros.