Com atuação e competência de campeão, Verdão encosta as duas mãos na taça da Série D
Jogo de ontem foi muito apertado especialmente na primeira etapa, mas zaga sólida e oportunismo certeiros deixam o Uberlândia a centímetros de erguer o troféu diante da torcida
O domingo reservou mais um fim de tarde mágico pra uma torcida que tanto apanhou nas últimas décadas. Uberlândia acordou em clima de festa neste 7 de setembro com o título da Série D muito bem encaminhado após mais uma atuação de gala.
O Verde entrou em campo neste domingo sabendo do tamanho do desafio de encarar o ASA dono da maior sequência invicta do futebol brasileiro. Apostando no elemento surpresa, Danilo escalou Léo Reis na ponta direita no lugar de Jhonatan Lima pensando em novas oportunidades no ataque e abrindo mão de uma recomposição mais sólida; na defesa, Luis Felipe entrou como titular no lugar de Nathan, que sentiu na semifinal contra o ABC. Do lado dos alagoanos, a aposta era na pressão intensa desde os primeiros minutos com a base do time que chegou à decisão sob o comando de Itamar Schulle, ao lado de uma torcida que abarrotou as arquibancadas do Fumeirão – que muitos disseram ontem lembrar demais o antigo Juca Ribeiro.
O time mineiro não começou bem. Sofreu para encaixar seu esquema de jogo nos primeiros minutos, o que levou inclusive a sofrer um gol logo aos 13 minutos. Na origem da jogada, porém, o lateral Arthuzinho estava impedido antes de dar o passe para Gustavo Ramos marcar.
Logo aos 18, mais um banho de água fria: Evanderson, nosso motorzinho do meio, sentiu a panturrilha e deixou o gramado. Rafinha foi o escolhido para tentar dar mais mobilidade no setor, o que até deu certo resultado. O ASA aos poucos foi diminuindo seu ímpeto, mas esbarrou no sistema defensivo do Uberlândia que não se intimidou nesse mata-mata: que dupla é Rayan e Max Miller, meus amigos.
Não foi determinante, mas é importante demais citar a atuação horrorosa da arbitragem gaúcha em Arapiraca. Faltas invertidas, lances duros deixando a bola correr e uma preferência a marcar infrações a favor dos donos da casa.
Mesmo com todo o abafa, Guilherme Nogueira não fez nenhuma defesa na etapa inicial. Do lado alvinegro, Rafael Mariano assistiu à partida com ainda mais tranquilidade.
Na volta do intervalo, o Uberlândia entrou em campo bem mais concentrado após uma conversa que claramente foi muito produtiva com Danilo. Tivemos duas grandes chegadas, com Rafinha aos 13 e com Calazans, sumido no primeiro tempo, aos 14 – exigindo grande defesa de Mariano. Sem fazer alterações, o comandante orientava com a paciência de sempre como o time deveria chegar com perigo.
Após mais alguns minutos, saiu o primeiro gol: descendo pela direita, Da Silva cruzou para a área e Ferreira, num lance bizarro, chutou contra a própria meta aos 28. No momento em que o Verde era melhor. E se o defensor do ASA não tivesse chutado a bola, ela chegaria a Tomás Bastos que fatalmente marcaria.
A partir daí os alagoanos sentiram o golpe. Faltas duras e cartões começaram a ser vistos com mais frequência, além de uma pressão cada vez maior. Mesmo assim, Nogueira só foi fazer sua primeira defesa efetiva aos 41 minutos.
Após o primeiro gol, aí sim Danilo mexeu. Colocou Jhonatan Lima, Marcelo Augusto na zaga e até Kayke ganhou uma chance. E quando o ASA era mais presente no ataque, um lançamento certeiro para Lima originou o segundo gol. Ele partiu pela direita, ganhou da marcação e bateu na saída do goleiro aos 48 minutos.
Nem mesmo o mais otimista dos torcedores imaginaria, pelo cenário do jogo, que o Verde sairia de Alagoas com um 2×0 na conta. O confronto se desenhava para um empate, e foi o mais duro confronto longe de casa desde a batalha no Canindé contra a Portuguesa. Muito graças à nossa defesa, e destaco novamente a partida brutal de Rayan – pra mim, o zagueiro do campeonato.
Não existe sorte no futebol, e sim muita competência. A cada etapa, o time colhe os frutos de um planejamento que apesar de percalços comuns foi de muito sucesso.
O título está fortemente encaminhado para nós, mas ainda tem o jogo da volta. Como disse o técnico do ASA, se o título estivesse resolvido eles nem viajariam para Minas Gerais. O respeito deve prevalecer, mas que esse troféu está muito encaminhado para ficar aqui, isso não tem dúvidas.
O Parque do Sabiá vai estar entupido, e a promessa da liberação de mais uma carga de ingressos pra decisão deve movimentar a cidade nos próximos dias.
Estamos vendo a história ser escrita com um time renascido. A empolgação é traiçoeira muitas vezes, mas temos muitos motivos para alimentá-la. E no fim, como foi bom insistir nestes anos todos pela profissionalização do UEC. Estamos a 90 minutos, e ainda podendo perder, de nossa segunda taça nacional. E isso não tem preço.