UEC e ASA começam a decidir a Série D, e torcida esgota ingressos pro Sabiá
Verdão viajou para Arapiraca sabendo que terá casa cheia contra o ASA; mas antes, precisa quebrar mais uma invencibilidade de mandante na Série D pra chegar com chances diante da torcida
A grande decisão da Série D do Campeonato Brasileiro começa neste domingo às 17h em Arapiraca. Antes de falar diretamente sobre os time, um dado histórico: pela 4ª vez em 17 edições de 4ª divisão nacional, teremos uma final disputada exclusivamente por clubes do interior.
De um lado, Verdão consolidando sua reconstrução meteórica; do outro, a tradição e o trabalho duro do ASA de Arapiraca.
Vamos então à análise do nosso grande adversário. Com 73 anos de história, o Alvinegro alagoano chega à sua segunda decisão nacional — a primeira foi em 2009, quando ficou com o vice da Série C diante de outro mineiro, o América. O Fantasma não disputava a 3ª divisão desde 2017, e teve passagem importante pela Série B entre 2010 e 2013.
O clube de Arapiraca vive uma temporada de retomada em 2026 após acumular os vices do Campeonato Alagoano e da Copa Alagoas, além de campanhas até a 2ª fase da Copa do Brasil e quartas da Copa do Nordeste.

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E a trajetória para chegar até aqui impõe respeito. O ASA luta por seu primeiro título nacional e ostenta hoje a maior sequência invicta do futebol brasileiro, com 15 jogos sem saber o que é perder — somando 8 vitórias e 7 empates desde 6 de maio. Só sofreu duas derrotas em casa em todo 2026 e segue sem perder no Fumeirão nesta Série D.
Em toda a competição, a defesa sofreu apenas 11 gols, enquanto o ataque marcou 28 vezes.
Depois de passar em 3º no Grupo A10 – o mesmo do CSA – com 16 pontos, despachou Sergipe na 2ª fase, Ivinhema na 3ª (com goleada de 4×0 no Fumeirão), Cianorte nas oitavas (aplicando 5×1 em casa), Goiatuba nos pênaltis nas quartas e o Gama no duelo decisivo na semifinal.
Por trás dessa consistência está a mão de Itamar Schülle. Aos 60 anos, o treinador campeão da Série D em 2024 pelo Retrô e com títulos na elite de 5 estados assumiu o ASA em março após ser demitido do rival CSA. Schülle moldou um time cascudo, com organização defensiva impecável e transição letal.

O time base conta com a segurança do goleiro Rafael Mariano, protegido pela linha de sustentação com Danilo Mendes, Arthurzinho, Alisson Dutra e Paulinho. No meio, Sammuel, Allef e Ferreira dão a entrega física para que o meia Motta dite o ritmo. Na frente, a velocidade do ponta Gustavo Ramos, que sofreu uma lesão que o afastou dos gramados por dois meses, e a eficiência de Michel Douglas, autor de 9 gols na competição.
O elenco ainda teve a contribuição decisiva do atacante Alex Bruno, de 27 anos, que anotou 24 gols na temporada antes de ser emprestado ao Vitória, por onde já estreou na Série A.
Do lado do Verdão, a escalação deve ser a mesma que buscou o empate com o ABC em Natal, com necessidade de aguardar informações sobre Nathan, que saiu lesionado no segundo tempo. Nogueira no gol; Samuel, Max Miller, Rayan e Nathan ou Luis Felipe; Fumaça, Evanderson, Tomás Bastos e Jhonatan Lima; Calazans e Da Silva na frente.
Toda e qualquer análise técnica dos times fica em segundo plano quando lembramos o que está em jogo. Há décadas, a cidade de Uberlândia não se mobilizava tanto pra acompanhar seu time local. Não se fala em outra coisa a não ser a chance de conquistarmos um novo título nacional após 42 anos.
Mas e a gente?
Nossa confiança depositada na SAF e no planejamento que mudou de rota várias vezes até acertar a mão com Danilo e este time valeu a pena. Mesmo que não venha a taça – o que sim, seria uma grande pena – o Verdão já é o maior vencedor.
Prova desta confiança é o que a torcida fez: horas após o início das vendas de ingressos para o jogo da volta, no domingo dia 13, o site travou. No início da manhã de ontem, já eram mais de 15 mil tíquetes vendidos. Ontem à noite, os ingressos foram oficialmente esgotados.
Certamente quebraremos o recorde de público desta Série D, e oremos para que isso aconteça com a taça sendo erguida por Tomás Bastos e Fábio Mineiro.
Mas antes, é pensar em depois de amanhã. Será um duelo de dois times extremamente maduros, organizados e famintos por um troféu inédito. O futebol do interior brasileiro merecia uma final dessas.
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