Ponto de Vista

Um espaço plural para debates e análises de temas que transformam a sociedade com a sua participação, leitor do Paranaíba Mais!


🌐 Participe como autor convidado fortalecendo o debate público em nossa comunidade. Envie seu artigo para a coluna Ponto de Vista!

O mercado geme, mas a solução existe

A questão central não é lutar contra a tecnologia; é preparar pessoas para trabalhar ao lado dela

Paulo Franco , em Uberlândia

-

Google News

Vivemos tempos curiosos. Nunca se falou tanto em desemprego e, ao mesmo tempo, nunca se ouviu tantas empresas afirmarem que não conseguem encontrar profissionais qualificados para ocupar vagas disponíveis.

À primeira vista, parece uma contradição. Mas basta observar com atenção para perceber que estamos diante de um desencontro entre a necessidade do mercado e a preparação da mão de obra.

pessoas reunidas em volta de uma mesa
Imagem ilustrativa criada por IA/Divulgação

O mundo mudou. A tecnologia avançou. As exigências profissionais evoluíram. Muitas funções desapareceram, outras foram transformadas e centenas de novas profissões surgiram. O problema é que uma parte da sociedade continua sendo preparada para um mercado que já não existe.

Empresas precisam de pessoas capacitadas. Precisam de profissionais que dominem técnicas, compreendam processos, saibam trabalhar em equipe e estejam dispostos a aprender continuamente. Entretanto, muitos candidatos chegam ao mercado sem a qualificação necessária para enfrentar os desafios atuais.

Diante dessa realidade, cresce a automação. Máquinas, softwares e inteligência artificial passam a ocupar espaços antes preenchidos por pessoas. Não porque as empresas desejam substituir seres humanos, mas porque precisam manter sua competitividade e produtividade.

A questão central não é lutar contra a tecnologia. A questão é preparar pessoas para trabalhar ao lado dela.

Talvez seja hora de repensarmos o modelo de formação profissional. Defendo a criação de iniciativas que aproximem empresas e futuros trabalhadores desde cedo. Ambientes onde jovens possam aprender na prática, desenvolver habilidades e construir relacionamentos profissionais sólidos.

Imagino algo semelhante a “aldeias profissionais”, onde empresários possam atuar como padrinhos de talentos em formação. Nesse modelo, o estudante não seria apenas um número em uma sala de aula. Seria acompanhado, orientado e preparado para as reais necessidades do mercado.

O benefício seria coletivo. O jovem ganharia oportunidade. A empresa encontraria profissionais preparados. A economia seria fortalecida. E a sociedade colheria os frutos de uma geração mais capacitada.

O mercado geme. O trabalhador também. Mas talvez ambos estejam dizendo a mesma coisa: precisamos aproximar oportunidade e preparação.

O futuro pertence a quem aprende. E aprender nunca foi tão urgente quanto agora.

Para os leitores interessados em aprofundar essa reflexão, o livro “Capacitação – O Mercado Geme” apresenta propostas, análises e caminhos para enfrentar um dos maiores desafios da atualidade: a formação de profissionais preparados para o mundo que já chegou.

 

Por Paulo Franco
O Shakespeare de Uberlândia

 

*Esse é um artigo independente e não reflete, necessariamente, a opinião do Portal.