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Empreender no Brasil: uma lição de 50 anos que Uberlândia não pode ignorar

Uma homenagem a Alexandre Biagi e uma reflexão sobre resiliência, visão ambiental e formação de pessoas

Paulo Franco , em Uberlândia

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Empreender no Brasil não é um ato romântico. Não se trata apenas de histórias bonitas em biografias ou discursos de palco. Empreender, aqui, é atravessar crises, instabilidades, mudanças econômicas, burocracia excessiva, desafios ambientais e, ainda assim, manter de pé uma empresa sólida, humana e sustentável. Poucos conseguem. Menos ainda conseguem por cinquenta anos.

Por isso, celebrar os 50 anos da Uberlândia Refrescos é celebrar algo maior: a capacidade de acreditar em uma cidade, em uma região e, principalmente, nas pessoas. Uberlândia e o Triângulo Mineiro agradecem a Alexandre Biagi por ter enxergado, desde cedo, que esta terra é fértil — não apenas no solo, mas no potencial humano.

Alexandre Biagi – Crédito: Arquivo pessoal/Divulgação

A história da família Biagi sempre me inspirou profundamente. Em meus livros, várias obras nasceram dessa convivência intelectual, dessas conversas e dessas provocações que despertam consciência social, ambiental e humana. Títulos como ESG Animal e Água que Sangra carregam essa influência direta: a necessidade de olhar além do lucro, além do crescimento econômico, e enxergar o impacto das decisões no meio ambiente, nos animais e nas futuras gerações.

Alexandre Biagi possui uma visão ambiental rara. Lembro-me, com clareza, de sua indignação ao ver pessoas lavando calçadas com água potável. Um gesto simples, mas profundamente simbólico. Ali estava um empresário que compreendia que cada atitude cotidiana molda o futuro coletivo. Essa consciência ambiental, quando parte da liderança, transforma culturas inteiras dentro das organizações.

Outra lição inesquecível vem de Maurílio Biagi, seu pai, cuja frase ecoa até hoje em mim: “O empresário que espera encontrar profissionais prontos fracassará. Eles não existem. Nós, empreendedores, temos que formar equipes, formar bons colaboradores.” Essa visão, tão simples quanto revolucionária, é praticada diariamente por Alexandre, que honra o legado do pai com uma gestão humanizada, formadora e inspiradora.

A pequena fábrica herdada tornou-se, sob sua condução, a maior unidade da Coca-Cola no mundo. Uma façanha que não se explica apenas por números, investimentos ou tecnologia, mas por liderança, formação de pessoas, disciplina, perseverança e uma leitura precisa dos tempos. Alexandre rege essa complexa engrenagem como um verdadeiro maestro, transformando desafios em harmonia produtiva.

Empreender no Brasil exige coragem, mas permanecer exige caráter. Cinquenta anos de história provam que sucesso sustentável se constrói com ética, visão, trabalho incansável e compromisso social. Que esse exemplo não seja apenas comemorado, mas estudado, replicado e valorizado, sobretudo por nossos jovens empreendedores.

Que venham mais cinquenta anos. Uberlândia agradece. O Brasil precisa.

 

Por Paulo Franco
O Shakespeare de Uberlândia

 

*Esse é um artigo independente e não reflete, necessariamente, a opinião do Portal.