Inde Navarrette, Obsessão e como atrizes do terror são esnobadas
Os elogios a Inde Navarrette em Obsessão pressionam votantes a lembrarem dela no Oscar em 2027, mas outros trabalhos demonstram que o caminho do terror é longo até premiações
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Obsessão e Backrooms se transformaram em dois sucessos de público e de crítica — principalmente em relação ao primeiro. Fato que trouxe o terror para o centro das discussões mais uma vez. O gênero, frequentemente esquecido pelas premiações, tem um novo nome que demandou atenção: Inde Navarrette. A atriz, para além do roteiro de Curry Barker, tem sido apontada como o grande trunfo de Obsessão. O que se diz é que ela deveria ser lembrada nas indicações aos principais prêmios de atuação.
Só que o caminho dos talentos em filmes de terror é sempre mais longo por puro preconceito.
Muito recentemente, Amy Madigan venceu o Oscar de Atriz Coadjuvante por A Hora do Mal. Ela não foi a única qualidade do filme, mas apenas a atriz conseguiu cair no gosto dos votantes da Academia e receber uma indicação pela produção.
Merecido, assim como outras mulheres que estiveram à frente de filmes de terror e foram esnobadas pelo Oscar.

Mia Goth, por Pearl (2022)
Mia Goth já tinha mostrado serviço em X – A Marca da Morte, também de 2022. Contudo, foi a personagem Pearl e seu sonho irrefreável pela fama que destacaram a entrega da atriz ao papel. A personagem-título é ingênua, maltratada, mas não se coloca apenas como vítima, levando sua raiva e seus desejos para o lado mais obscuro possível. A cena que fecha Pearl, com um sorriso desesperado, deveria ser mais do que suficiente para considerá-la uma indicação ao Oscar — mesmo em um ano difícil, com Michelle Yeoh, por Tudo em Todo o Lado ao Mesmo Tempo, e Cate Blanchett, por Tár, entre as nomeadas.

Toni Collette, por Hereditário (2018)
O caso de Collette não se trata de um único acerto no gênero. Em 2000, ela chegou a ser indicada ao Oscar de Atriz Coadjuvante por O Sexto Sentido. Mas o que parece é que, para além do merecimento (e ela mereceu), tratou-se também de uma lembrança dentro do enorme sucesso que o filme de 1999 conquistou entre público e crítica. Ele recebeu, ao todo, seis indicações, inclusive a de Melhor Filme. Quase duas décadas depois, ela poderia ter voltado à lista do prêmio, dessa vez como protagonista, pela atuação em Hereditário. Era mais um papel multifacetado, em que sua personagem era afetada pela pressão familiar, pela tristeza da perda da mãe e por uma raiva que a consome até o final explosivo. Ela tinha um páreo duro pela frente, mas certamente estava superior a Melissa McCarthy, indicada por Poderia Me Perdoar? — filme, inclusive, apenas correto.

Florence Pugh, por Midsommar (2019)
A fragilidade de Pugh no início desse longa-metragem é algo entristecedor. A situação familiar e romântica da jovem demanda muito da atriz, que, após muitos solavancos, termina a produção com um sorriso que pode ser lido como maldoso, mas que, no fundo, é libertador. Essa é minha cena favorita de Midsommar, que também está entre os três melhores filmes de terror deste século, na minha opinião. Mas ficou ainda mais famosa a sequência em que Pugh chora e grita, amparada por outras mulheres, ao descobrir que seu namorado a trai em uma barraca próxima dali. Mais uma vez, um trabalho de grande amplitude foi esquecido pelas principais premiações. E havia espaço: basta lembrar que Renée Zellweger venceu, em 2020, o Oscar de Melhor Atriz por Judy.

Lupita Nyong’o, por Nós (2019)
Começo dizendo que não sou exatamente fã de Nós, que considero o filme mais fraco de Jordan Peele. Há algumas boas ideias, mas é uma obra que perde demais por querer misturar humor em seu caldo narrativo. Só que não existe nada que manche o trabalho de Lupita Nyong’o aqui. Primeiro, ela interpreta com grandes distinções duas versões da mesma pessoa. Segundo, seu duplo esquecido exige um trabalho corporal complicado da atriz. E ela entrega tudo, seja na fala bizarra, seja em seus maneirismos nada convencionais. Lupita e a ambientação carregam esse longa.

Mia Farrow, por O Bebê de Rosemary (1968)
O caso de Mia Farrow em O Bebê de Rosemary é curioso, uma vez que sua colega de elenco, Ruth Gordon, ganhou o Oscar de Atriz Coadjuvante em 1969. A vitória foi merecida, mas Mia parece que vai se quebrar em algum momento, tamanha a pressão colocada sobre a personagem pelo enredo. A magreza que ela exibe e o quanto seu filho lhe drena as forças culminam nos gritos da mãe estarrecida diante dos olhos do bebê — imagem que nunca é mostrada, vale salientar, mas que muita gente acredita ter visto. É uma atuação dramática com contornos de pesadelo.
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Vinícius Lemos é jornalista e repórter da TV Paranaíba
*Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Paranaíba Mais