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Crítica: Sonhos de Trem é o filme do homem comum em qualquer época

Sonhos de Trem está na Netflix e tem quatro indicações ao Oscar, incluindo a de Melhor Filme e Melhor Fotografia, para brasileiro Adolpho Veloso

, em Uberlândia

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Sonhos de Trem é a história de uma vida comum em um tempo diferente, ainda que marcada por acontecimentos que você pode tomar como extraordinários.

Temos aqui um protagonista chamado Robert Grainier, vivido com ternura e introspecção por Joel Edgerton. Sua luta para construir e manter uma casa e sua família dá as bases para a trama.

A narrativa do filme é inteligente ao mascarar o caráter episódico de forma muito fluida. Não há atropelos, e as passagens do tempo, com flashbacks e flashforwards, são guardadas para os momentos certos para que entendamos cada pensamento ou sentimento de Robert.

A narração em off é um pouco intrusiva em certos momentos; por outro lado, dá ritmo à narrativa.

O longa-metragem está disponível na Netflix – Crédito: Divulgação/Netflix

Nós encontramos o protagonista já adulto, em seu trabalho de lenhador, e a narração vai nos conduzir para a infância e para a juventude, mostrando um caráter se formando, ao mesmo tempo em que o arco principal avança. Logo, ele tem mulher e filha. Aqui, Sonhos de Trem desacelera em pequenos momentos para que você entenda a importância das duas para a vida daquele homem.

Para isso, o longa se utiliza de passagens de intimidade bonitas, tanto pela relação que está construindo quanto pela plástica de uma casa iluminada com cores quentes e por uma direção de arte que aponta um ambiente verdadeiramente habitado. Assim como há externas que impressionam pela beleza de um céu entre o vermelho e o azul — que o brasileiro indicado ao Oscar Adolpho Veloso conseguiu captar em sua fotografia. Imagino que, para conseguir aqueles horizontes, muitas manhãs e tardes devem ter sido esperadas nas gravações.

Os diálogos também são precisos. Há economia nas palavras e beleza jogada em vários momentos, principalmente quando fala Arn, personagem de William H. Macy.

É bom salientar que o casal Robert e Gladys (Felicity Jones) tem seus conflitos, mas há sintonia na maior parte do tempo. Por isso, há torcida da plateia para que as coisas deem certo para aquela família.

Ainda assim, fantasmas rondam Robert. O homem precisa se manter de pé, e isso não é simples. Lembranças e pesadelos ocupam a cabeça de uma pessoa que já vive uma realidade complicada, seja pelo trabalho pesado, pela dificuldade em levantar uma grana e estar perto da família ou pelos desafios que você não espera da vida, incluindo a inadequação ao mundo quando se é mais velho.

Não é difícil se identificar com o protagonista de Sonhos de Trem. Suas vitórias, perdas, força e traumas estão presentes na vida da maior parte das pessoas, independentemente da época em que se vive.

Trata-se de um filme pequeno em escala, mas grandioso em mensagem e beleza, mesmo que triste muitas vezes.

Vinícius Lemos é jornalista e repórter da TV Paranaíba

*Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Paranaíba Mais