Crítica: Sirât pode não agradar, mas você vai ver algo diferente
Indicado ao Oscar de Filme Internacional pela Espanha, Sirât é um road movie com música eletrônica que varia entre picos de emoção e um certo tédio
A chave para entender o que quer Sirât, produção espanhola indicada ao Oscar de Melhor Filme Internacional, é ter em mente o significado de seu título. O que não faz com que esta seja apenas uma experiência cheia de significados. Ela vai se desidratando.
O termo Sirât vem da tradição islâmica e diz respeito a uma ponte sobre o inferno que todos devem atravessar após a morte. Ela seria mais fina que um fio de cabelo e mais afiada que uma espada. Isso é colocado em uma cartela no início da projeção.
O longa seria toda essa travessia e os que se perdem pelo caminho. Não exatamente como um castigo aos perdidos, mas pelas dificuldades que qualquer direção que a vida pode tomar.

Vemos aqui um pai e seu filho em busca da filha/irmã. Eles o fazem nas festas de música eletrônica que a desaparecida costumava frequentar, ao passo em que nós somos tragados para um modo de vida que vai além da diversão. Essas festas são o fim de todo o esforço de uma comunidade.
Logo pai e filho estão inseridos nisso e o caminho deles para outros desses encontros é, basicamente, o desenvolvimento de Sirât.
Eu poderia dizer que a força que a música tem para o filme traz vibração para a narrativa. Mas não é assim. O longa é, realmente, um desafio. É incômodo e, por vezes, monótono e até vazio — eu realmente me irrito com o final e com a falta de sentimento que ele transparece depois de tanta dificuldade enfrentada.
Mas a caminhada é estranhamente interessante e tem pelo menos dois picos de emoções fortes, que garantem a energia para que você não se entedie.
O caso é que a proposta do filme é mesmo ser uma experiência. Sua abertura e a trilha sonora nada convencional são ótimas, assim como a fotografia retrata o calor que nos faz imergir. Entretanto, sobra minutagem.
Sendo um road movie, é claro que ele pode se tornar episódico, mas é possível sacar a mensagem do filme rapidamente e, depois disso, ele passa a perder a atenção — e nem a maior das tragédias vai te devolver para a tela.
E, como dito, o final carecia de maior energia, ainda que você saia do filme com a certeza de ter visto uma obra diferente.
Vinícius Lemos é jornalista e repórter da TV Paranaíba
*Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Paranaíba Mais