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Crítica: se durasse uma hora, Hope – O Primeiro Impacto seria o melhor filme do ano

A primeira hora de Hope é seu grande trunfo, mas a repetição e os efeitos visuais ultrapassados pesam muito para que cheguemos até o final com a mesmo empolgação de sua abertura

, em Uberlândia

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Não está escrito o quanto Na Hong-jin filma e movimenta sua câmera em Hope – O Primeiro Impacto, que está em cartaz nos cinemas. O problema é que o terço final do novo filme descamba para a repetição cansativa e um final aberto que aponta para uma confiança grande demais até para um diretor com seu prestígio.

A primeira hora de Hope é seu grande trunfo. Enquanto os personagens e nós tentamos entender o que causa a destruição da cidade que dá nome ao filme, o sentimento de aflição domina a tela. Há boas piadas e diversão genuína em meio à agonia do mistério. Mesmo depois de sua revelação, o que se segue é uma perseguição intensa e empolgante. Quando ela terminar, tenho certeza de que muita gente vai precisar recuperar o fôlego.

Hope é o filme mais caro das história da Coreia do Sul, custando US$ 46 milhões – Crédito: Divulgação/Neon/Imagem Filmes/Mubi

Na Hong-jin consegue segurar o mistério no limite para não perder nosso interesse, entregando uma ou outra cena mais forte no momento certo. Sua movimentação de câmera também é fluida. A fotografia iluminada, como num amanhecer que dura mais do que deveria, ganha dinâmica ao acompanhar pessoas, veículos e outras coisas em altas velocidades. O diretor enquadra seus heróis com frequência em ângulos baixos e quadros muito abertos, aproveitando ao máximo as locações, como a floresta próxima à cidade costeira.

Quer atestar tudo o que eu digo? Nem os efeitos visuais limitados desse primeiro terço atrapalham a experiência. Quando o CGI surge em grande escala, há até o risco de você ser tirado do filme, mas a ação vai te tragar de volta.

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A limitação dos efeitos pesa minutos depois, quando o terceiro ato se desenrola. Já na floresta, uma nova perseguição acontece, mas a câmera fluida não é mais novidade. Algumas situações se repetem a ponto de o filme patinar no mesmo lugar. É frustrante ver o potencial das locações desperdiçado quando uma piada sem graça envolvendo uma placa de trânsito encerra uma cansativa corrida pela vida em uma rodovia nos arredores da cidade.

O desfecho faz Hope descambar de vez. Um novo elemento abre portas para uma continuação, enquanto a plateia fica com mais perguntas do que respostas para levar para casa. Não que fossem necessários tantos detalhes para curtir o filme. Bastava embasar minimamente o roteiro e evitar recorrências. A direção já estava afiada. O CGI também merecia mais refinamento, já que o longa depende tanto dele para se desenvolver.

Vinícius Lemos é jornalista e repórter da TV Paranaíba

*Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Paranaíba Mais