Outra Tela

Críticas, informações e discussões sobre o mundo do cinema e streamings, assinadas por Vinícius Lemos!

 

Crítica: eu também estaria em A Última Casa, mesmo sem gostar

Wagner Moura e Gretta Lee têm razão em estar em A Última Casa: projeto grande, de alcance mundial e roteiro curioso, ainda que desande bem do meio para o final

, em Uberlândia

Google News

Eu entendo o elenco entrar nesse filme: projeto grande, de alcance mundial por meio da Netflix e roteiro curioso, ainda que desande bem do meio para o final. E, bom, com isso já está dito que A Última Casa é uma produção de qualidade regular para baixo.

Em uma vizinhança comum no litoral dos Estados Unidos, uma chuva se aproxima e tranca todas as famílias em casa. Não há como pisar na rua enquanto estranhas figuras passam a rodear as residências.

Filme é uma original do catálogo Netflix – Divulgação/Netflix

A premissa curiosa nem precisaria de muito para funcionar, desde que aquele drama de confinamento passasse a ganhar cada vez mais volume para transformar A Última Casa em algo claustrofóbico e imersivo. O problema é que o filme não se decide entre o drama, o suspense e a ação. E, ainda que pareça, não consigo enquadrá-lo como terror.

A abertura do filme demonstra essa falta de jeito do diretor Louis Leterrier. Especialista em ação, ele tem pressa em estabelecer a situação de prisão domiciliar. É tanto corte e correria que a montagem mina nossa proximidade com a família chefiada por Wagner Moura e Greta Lee.

A sorte é que o filme obrigatoriamente terá que passar tanto tempo naquela residência que, em algum momento, haverá algum tipo de empatia. Dava para ser mais equilibrado, apresentá-los com mais tempo e evitar algumas situações repetitivas.

A passagem do tempo não é das melhores, e as maneiras que a família encontra para se adaptar dependem de algumas inconsistências do próprio roteiro. Há, inclusive, o caso de um vizinho que diz não ter mais comida, cuja participação ainda dura um bom tempo. É esse tipo de desleixo pelo qual temos que passar para tentar entender até onde o longa-metragem quer chegar.

Mesmo com o elemento fantástico presente desde os primeiros minutos, é no terceiro ato que situações apenas pinceladas passam a ganhar a tela. Aí, A Última Casa se transforma numa produção focada na ação pra valer — mas com a notícia ruim de que se trata de um filme de ação fraco.

×

Leia Mais

Leterrier não consegue estabelecer uma movimentação coerente, e o corre na casa é sempre truncado. A montagem, novamente acelerada, também não ajuda a estabelecer planos nos quais você entende totalmente o que está acontecendo. Vira uma grande bagunça que ainda termina de maneira bastante anticlimática.

Repito: entendo que nomes como Moura e Lee tenham embarcado na produção, mas o que me parece é que eles estavam mais interessados na vitrine do que no estofo que o material oferecia.

Vinícius Lemos é jornalista e repórter da TV Paranaíba

*Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Paranaíba Mais