Crítica: Acampamento Miasma nem é filme de terror
Certamente é um ótimo filme, mas Acampamento Miasma demonstra aos poucos que é mais sobre suas protagonistas do que sobre terror
Há em mim uma vontade de chamar Acampamento Miasma – Adolescência, Sexo e Morte de slow burn. Esse tipo de terror se desenvolve de forma gradual, focando na construção de uma atmosfera opressiva em vez de sustos rápidos. Mas o fato é que o longa-metragem de Jane Schoenbrun, que chegou ao streaming, simplesmente não é um terror, acredite.
A trama: jovem diretora promissora vai em busca de uma antiga estrela do filme original da franquia slasher Acampamento Miasma. O objetivo da realizadora Kris (Hannah Einbinder) é trazer a reclusa Billy Presley (Gillian Anderson) de volta para um remake (ou reimaginação ou continuação). Mas esse é o ponto de partida do projeto de 2026.

Você pode até ir pelo plot e pela exploração de cenas de matança, mas a grande verdade é que Acampamento Miasma – Adolescência, Sexo e Morte vai trazer todas as suas cartas nos minutos finais, principalmente quando conseguimos, enfim, entender sua protagonista. E aí sim você entenderá que estamos falando de um filme muito mais sentimental e psicológico do que se supunha.
Jane Schoenbrun filma com muito estilo — às vezes até demais — e suas representações visuais são um programa à parte. Todo o desenho de produção do filme é maravilhoso, seja em uma casa isolada estranhamente aconchegante, seja nos cenários pintados (ou digitais) que simulam paisagens ou construções — os chamados matte paintings. A fotografia evoca os terrores dos anos 1980, mas causa uma dissonância por ser mais limpa do que o esperado. Algo que serve para te manter atento.
Claro, há quem possa dizer que faltam efeitos práticos na filmagem das mortes, só que é uma questão estilística da direção, o que pode ou não agradar à plateia. A mim, não atrapalha tanto. Até porque há um plano-sequência de uma chacina saído diretamente do filme falso referenciado pela produção, que prima pelo absurdismo.
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O que me desagrada mesmo é a representação do ambiente no fundo do lago, que me parece exagerada em excesso e pobre ao mesmo tempo — fora que é pouquíssimo prática.
A trilha sonora é atmosférica, como não poderia ser diferente, e pouco intrusiva.
O fato é que Acampamento Miasma poderia ser um tantinho menor, pois, a certa altura, em seu segundo ato, as conversas não parecem se mover para a frente, com mistério demais. Mas, quando o filme parece que não tem mais o que dizer e sua proposta cabeçuda para uma estética de violência se mostra mais papo do que ação, a linha entre real e ficção passa a sumir, e temos um dos filmes sobre sexualidade mais interessantes lançados recentemente.
Sem amarras e ilustrado de maneira perfeitamente alegórica. Aquela corrida e a frase sobre a fome de seu assassino serial, Pequena Morte, que finalizam a produção, são a cereja do bolo.
Vinícius Lemos é jornalista e repórter da TV Paranaíba
*Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Paranaíba Mais