Crítica: A Morte do Demônio – Em Chamas escancara fórmula, mas é bom
Gostar do novo A Morte do Demônio - Em Chamas depende muito de como as fórmulas te afetam e este novo capítulo da franquia não muda muito as coisas na franquia
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Gostar de A Morte do Demônio – Em Chamas depende muito de como as fórmulas te afetam. O fato é que o longa, para além de seu gore, percorre um caminho bastante semelhante ao de seus dois antecessores mais recentes. Da minha parte, ainda não há sinal de desgaste, mas não consigo deixar de pensar que uma eventual fadiga pode estar logo ali na esquina.
Em Chamas trabalha um subtexto de violência familiar que, vez ou outra, acrescenta camadas ao terror. Nada especialmente profundo, mas suficiente para dar algum peso à trama. A história acompanha uma mulher que perde o marido em um acidente de carro. O problema é que ele, indiretamente, tinha ligação com as forças despertadas pelo Livro dos Mortos, o que serve de ponto de partida.

Embora mantenha algumas tangências estilísticas com os filmes dirigidos por Sam Raimi — especialmente nos cortes rápidos e nos planos-detalhe —, o diretor Sébastien Vanicek parece mais próximo da abordagem de Lee Cronin em A Morte do Demônio – A Ascensão. O resultado é um filme com identidade própria. Diria até que este é o capítulo mais criativo da franquia quando o assunto é violência desde o original de 1981.
E isso faz diferença. O grande chamariz de A Morte do Demônio – Em Chamas está justamente na inventividade de suas mortes, mutilações e momentos de puro asco. O filme quer incomodar o espectador e consegue. Para a parcela do público que acompanha a série justamente por isso, o resultado dificilmente decepcionará.
Ao mesmo tempo, fica difícil ignorar a estrutura que os três últimos filmes compartilham. Primeiro, estabelece-se um tema de fundo — vício e reabilitação em 2013, maternidade em 2023 e violência familiar agora. Depois, a narrativa se desenvolve por meio de sucessivos choques e escaladas de brutalidade. Por fim, quando tudo parece pronto para a resolução, surge uma espécie de chefão de fase para encerrar a jornada. Dentro dessa lógica, é preciso reconhecer que o clímax de A Morte do Demônio – Em Chamas não alcança a força dos dois filmes anteriores, ainda que sua construção esteja entre as melhores da franquia.
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Há tensão de sobra nos momentos iniciais. Antes que a violência tome conta da narrativa, o longa investe em diálogos desconfortáveis e situações que geram inquietação. Quando o horror explode de vez, porém, o drama perde espaço e o filme passa a apostar quase exclusivamente na carnificina.
Como dito, a fórmula está cada vez mais evidente. Se isso for um problema para você, talvez a franquia esteja começando a perder força. Caso contrário, A Morte do Demônio – Em Chamas continua sendo um bom novo capítulo para uma série que ainda sabe como provocar desconforto em seu público.
Fique atento: o filme tem duas cenas pós-crédito.
Vinícius Lemos é jornalista e repórter da TV Paranaíba
*Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Paranaíba Mais