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Como escolher a melhor música indicada ao Oscar?

Analiso as canções indicadas ao Oscar de duas formas: se funcionam fora do filme e como elas estão inseridas na produção; aqui aponto minhas preferidas em 2026

, em Uberlândia

Escolher qual é a melhor canção de um filme indicada ao Oscar, ao meu ver, é uma tarefa de gosto, e a vitória em uma premiação como o Oscar também envolve popularidade. Aquela que se torna mais querida (por motivos particulares) acaba sendo a mais votada e a vencedora.

Eu analiso as canções de duas formas: se funcionam fora do filme — afinal, algumas são tocadas apenas nos créditos — e como elas estão inseridas na produção.

Por exemplo, as duas vitórias no Oscar da cantora Billie Eilish são de músicas de que eu não gostei ouvindo fora dos filmes, mas que, em seus contextos, funcionam muito bem. Em 2022, ela defendeu o tema “No Time to Die”, do filme 007 – Sem Tempo para Morrer. Ela está nos créditos do longa e, após a introdução da trama, a canção tem encaixe perfeito com o que passamos a acompanhar. Já em 2024, “What Was I Made For?” está no ponto de virada de Barbie. O filme sai de uma comédia de mensagem para iniciantes para ganhar profundidade, junto de seu tema, que torna tudo realmente emocionante.

Se dependesse de mim, por pouco daria um empate – Crédito: Reprodução/A.M.P.A.S.

Entre as canções indicadas ao Oscar de Canção Original em 2026, já existe uma clara favorita: “Golden”, de Guerreiras do K-Pop. A música é um pop chiclete e divertido, muito bem produzido e cantado por Ejae, Audrey Nuna e Rei Ami. Mas não é a minha preferida, ainda que tenha a melhor desculpa para estar em um filme — a animação é sobre um grupo de caçadoras de demônios que são cantoras de… pop coreano.

Poderia dizer algo parecido sobre “Sweet Dreams of Joy”, de Nicholas Pike, para o filme Viva Verdi!. É bem bonita, mas uma obra clássica, que não é exatamente o meu tipo de som preferido.

Indo para um lado ainda mais tradicional, há “Dear Me”, interpretada por Kesha e composta pela eterna indicada ao prêmio, Diane Warren. Essa é, com certeza, a que menos me agrada. Primeiro porque acho bem estranho ela compor uma música para um documentário sobre si — Diane Warren: Relentless, dirigido por Bess Kargman. Segundo porque é aquele tipo de canção igual a um zilhão de outras indicadas ao longo dos anos.

Aí a gente parte para as melhores.

Se não fosse aquela cena de Pecadores, com certeza “Train Dreams”, do filme homônimo, seria a minha favorita. Escrita por Nick Cave e Bryce Dessner, a música é interpretada pelo próprio Cave e tem a impressão digital do longa em si. A letra, entoada com o vozeirão costumeiro do intérprete, cria paisagens bucólicas ou mentais que se repetem como um trem que vai, volta e vai de novo. Tem clima e textura.

Mas, já que se trata de uma canção-tema e que deve ser premiada, é difícil competir com “I Lied to You”. Escrita por Raphael Saadiq e por Ludwig Göransson, ela é interpretada pelo ator e cantor Miles Caton. É, talvez, o grande momento catártico do cinema em 2025. Quando o jovem cantor Sammie Moore inicia a canção em Pecadores, o tecido espaço-tempo se rasga e ecos de passado e futuro se juntam no bar criado pelos protagonistas do filme.

O blues viajado e complexo não só pontua de forma precisa a cena, como pode ser ouvido em casa ou no carro com o mesmo arrepio depois da descoberta no cinema.

Rankeando as canções

5. “Dear Me”
4. “Sweet Dreams of Joy”
3. “Golden” (deve ganhar)
2. “Train Dreams”
1. “I Lied to You” (favorita)