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Críticas, informações e discussões sobre o mundo do cinema e streamings, assinadas por Vinícius Lemos!

 

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Colecionador de filmes em mídia física, você é o guardião do Cinema

Enquanto a mídia física míngua para colecionadores de filmes, a Sony vai acabar com jogos para PlayStation e o mundo se torna refém do mercado digital

, em Uberlândia

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A Sony informou que encerrará a produção de jogos em mídia física a partir de janeiro de 2028. Após essa data, os novos lançamentos para consoles PlayStation serão vendidos exclusivamente em formato digital, pela PlayStation Store ou em varejistas apenas na forma de códigos de resgate. A mudança, anunciada oficialmente no PlayStation Blog BR, foi justificada pela preferência massiva dos consumidores pelas plataformas digitais.

Eu já me senti mal percebendo o quanto de espaço utilizei da minha casa por causa da minha coleção de filmes, mas esse me parece um sentimento cada vez mais distante.

A mídia física é propriedade, o filme digital é uma licença de uso – Crédito: Vinícius Lemos

Lembro de quando a Netflix se popularizou e eu fiz minha assinatura com a ilusão de que aquele catálogo estaria ali para sempre, à minha disposição. Lá se vão uns 14 anos. Mais recentemente, vimos filmes de grandes estúdios serem removidos de seus respectivos serviços de streaming por se tornarem caros demais para serem mantidos e para que houvesse rotatividade nos filmes oferecidos. Ou seja, por uma questão de balanço financeiro, a empresa deixava de ampliar seu catálogo e passava a oferecer outros conteúdos para manter o equilíbrio entre as contas e o número de assinaturas.

E aqui vai entrar meu papo de colecionador: filmes digitais nunca serão seus, mas a mídia física, sim.

A questão é que, quando você paga por um filme em plataformas digitais, o que se ganha é o direito de acesso ilimitado àquela produção. Ela não se torna uma propriedade; o que se recebe em troca é uma licença.

Tal permissão valerá até que haja qualquer problema com sua conta naquele serviço e você perca seu acesso, seus filmes e seu dinheiro.

Isso se a própria empresa não tiver um grande prejuízo e sua manutenção se tornar inviável. Ela vai fechar e pronto. Você pode até ter alguma restituição financeira, mas o filme não será mais uma propriedade sua.

Até mesmo colegas que vi baixando filmes inteiros para a nuvem, justamente como forma de se protegerem desse tipo de situação, acabam reféns do pagamento de mensalidades para terem acesso aos seus drives.

Manter filmes no streaming custa dinheiro às plataformas, que pagam valores às detentoras dos direitos das obras. Se empresas como Disney ou Warner têm seus próprios serviços, elas pagam residuais aos artistas que fizeram parte da produção. Se seus filmes foram adquiridos em gigantes como Prime Video ou Apple, não se esqueça de que amanhã elas podem, simplesmente, não ter qualquer interesse em manter um serviço que perca popularidade. E, ainda que existam por muito tempo, lembre-se de que quem detém o produto de forma exclusiva cobra o que quiser por ele ou pode simplesmente não o disponibilizar nunca mais.

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Claro que, quando compro um filme em mídia física, corro o risco de um arranhão no disco ou mesmo de perdê-lo. Mas isso depende muito mais de mim do que da vontade alheia de continuar me oferecendo acesso a ele no longo prazo. E, por mais que um título possa sair do catálogo de uma distribuidora de mídia física, pense que o mercado de usados está aí para quem quiser buscar uma alternativa — muitas vezes até mais barata.

Fora que, uma vez que paguei pelo meu tocador de DVD ou Blu-ray, ele terá uma vida útil bem interessante para que eu assista aos meus filmes. Mas tente atrasar sua conta de internet e me diga como poderá acessar seu filme em streaming ou mesmo seu catálogo digital.

O cineasta Guillermo Del Toro disse recentemente que, se você mantém um acervo em mídia física, independentemente do tipo, “você é o guardião desses filmes para as gerações futuras”. Algo bem maior do que apenas ser uma pessoa nostálgica.

Vinícius Lemos é jornalista e repórter da TV Paranaíba

*Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Paranaíba Mais