Quando a Covardia Rasga o Peito
O desabafo de quem engasgou com a injustiça ao ver a crueldade virar rotina
Eu engasguei. Um bolo se formou na minha garganta e o brócolis com peito de frango, o pouco que eu havia separado para mastigar, desceu rasgando o meu peito.
Senti, junto com a refeição, o meu coração disparar. Foi como se eu pudesse enxergar meu peito batendo forte, abraçando a dor de ver, mais uma vez, a crueldade desse que se diz humano.

📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp
Num pequeno lugarejo em Minas Gerais, um homem com uma das profissões que eu mais reverencio — a de coletor de lixo, esse profissional que com sua força e dignidade mantém a cidade limpa —, provou que não merece o trabalho que tem. Só porque um cachorro se aproximou dele, covarde que é, pegou um tijolo e atirou nas costas do bichinho, que saiu correndo e gritando de dor.
Talvez você não ouça a minha voz enquanto lê, mas há em mim uma indignação transbordando e uma tristeza profunda que peço licença para compartilhar.
Hoje, eu vou te dizer: cansei do ser humano. Estamos em pleno século XXI avançando em tanta coisa, mas o que menos se vê é a evolução de certos tipos de pessoas. Me sinto cansada, enojada.
Só espero que este homem seja punido com todo o rigor da lei. Assim como aqueles que matam, roubam e machucam mulheres, crianças, idosos e tantas outras vidas vulneráveis. Não dá mais para suportar que aquele que foi feito à semelhança de Deus maltrate, assassine a troco de nada e continue semeando crueldade.
Eu estou aqui pedindo a sua ajuda porque, de verdade, neste momento eu não sei mais o que fazer. Desacreditar é o verbo que me habita.
Após a escrita deste desabafo, soube que o cachorrinho tem família e já está sob cuidados, se recuperando.
Mais do que isso: o agressor está sendo identificado para responder pelo ato e arcar com os custos do tratamento.
Saber disso acalma o peito e renova a certeza de que a covardia não pode passar impune. A dor existiu, mas a mobilização e o cuidado chegaram a tempo.