Mônica Cunha

Conteúdos sobre bem-estar e estilo de vida com informações confiáveis, embasadas cientificamente e com orientações de especialistas

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Não se esqueça de sentir!

Quando uma batida no vidro traz um sinal

, em Uberlândia

O som veio.
Uma batida.
Nada que incomodasse ou fosse motivo de susto.

Depois outra.

Arquivo pessoal/Divulgação

Um ruído suave que, insistente, em segundos — e logo em minutos — me roubou a atenção.

Era domingo. Separei parte da tarde para estudar. Voltei à faculdade, e o verbo “estudar” será rotina pelos próximos quatro anos.

Enquanto tentava compreender os mistérios do corpo humano, uma criatura rompeu o silêncio e a concentração. Levantei os olhos para descobrir de onde vinha aquele chamado.

Era ele.

O pequenino na janela.

Saltava do galho do jasmim ao friso de madeira e bicava o vidro: “tom”. É a tradução que cabe.

Tentei identificar a espécie. Na minha leiguice, suponho ser parente próximo do bem-te-vi. A conclusão veio pela cor do peito — um amarelo esmaecido, discreto, quase tímido.

Era um baile vespertino no corredor onde as roupas se entregam ao sol. Uma geometria no voo rápido que não se limitava àquele canto da casa. Ele ia e vinha como quem ensaia um mapa invisível.

Na segunda-feira, enquanto tomava café, percebi os galhos da carambola agitarem-se frenéticos, mesmo sem sopro de vento. Sorri antes mesmo de vê-lo.

Era o dançarino outra vez.

Exibia-se agora na porta de vidro da sala. Dali, voava ainda até o recipiente de alimento dos beija-flores. Ia lá e acolá. Energia pura. Movimento vivo.

Desde então, ele aparece.

Uma interrupção leve no meio das tarefas. Um desvio no pensamento. Um convite para erguer os olhos.

Não sei se veio por acaso.

Prefiro acreditar que é sinal.

Um lembrete de que, mesmo quando nos dedicamos às engrenagens sérias da vida adulta, algo pode nos chamar de volta ao encantamento.

Olha ele ali de novo.

“Tom.”

E eu sorrio.