Mônica Cunha

Conteúdos sobre bem-estar e estilo de vida com informações confiáveis, embasadas cientificamente e com orientações de especialistas

Envelope

Coluna da Mônica Cunha: Entre a mãozinha e o silêncio

Neste Dia da Mulher, que as flores não nos distraiam do essencial. Que elas nos lembrem da delicadeza que toda vida merece — e da força que também nos habita

, em Uberlândia

Entre um pensamento e outro, a imagem se repete na minha mente.

A mãozinha. Os dedinhos abertos, como se acenassem. O rosto está protegido. A criança está no colo da mãe.

Ela, por sua vez, mostra a face.
Olhos inchados. A boca também. A fala carrega dor.

Entre a inocência e o sofrimento escancarado há o descaso.

A mulher é mais uma a sofrer pelas mãos ferozes do homem que escolheu para ser par e pai. Em algum momento, o revés de uma vida sonhada.
Do toque à pancada.
Do amor ao controle e à posse.

A criança nem imagina o horror do lar no qual nasceu.

E penso em quantas histórias assim atravessam os dias em silêncio. Quantas mulheres recolhem os próprios pedaços enquanto o mundo segue apressado demais para perceber.

Coluna da Mônica Cunha
Como já dizia Mlton: é preciso ter força e – coragem – de estender a mão à outra mulher e dizer: você não está sozinha Crédito: Freepik/Divulgação

Mas há algo que insiste em nascer mesmo em meio à dor: a coragem.

Coragem de falar.
Coragem de pedir ajuda.
Coragem de estender a mão à outra mulher e dizer: você não está sozinha.

Neste Dia da Mulher, que as flores não nos distraiam do essencial. Que elas nos lembrem da delicadeza que toda vida merece — e da força que também nos habita.

Porque nenhuma mulher nasceu para viver com medo.
E nenhuma criança deveria aprender que amor se confunde com violência.

Que o futuro seja diferente.
E que comece agora.