Coluna da Mônica Cunha: Entre a mãozinha e o silêncio
Neste Dia da Mulher, que as flores não nos distraiam do essencial. Que elas nos lembrem da delicadeza que toda vida merece — e da força que também nos habita
Entre um pensamento e outro, a imagem se repete na minha mente.
A mãozinha. Os dedinhos abertos, como se acenassem. O rosto está protegido. A criança está no colo da mãe.
Ela, por sua vez, mostra a face.
Olhos inchados. A boca também. A fala carrega dor.
Entre a inocência e o sofrimento escancarado há o descaso.
A mulher é mais uma a sofrer pelas mãos ferozes do homem que escolheu para ser par e pai. Em algum momento, o revés de uma vida sonhada.
Do toque à pancada.
Do amor ao controle e à posse.
A criança nem imagina o horror do lar no qual nasceu.
E penso em quantas histórias assim atravessam os dias em silêncio. Quantas mulheres recolhem os próprios pedaços enquanto o mundo segue apressado demais para perceber.

Mas há algo que insiste em nascer mesmo em meio à dor: a coragem.
Coragem de falar.
Coragem de pedir ajuda.
Coragem de estender a mão à outra mulher e dizer: você não está sozinha.
Neste Dia da Mulher, que as flores não nos distraiam do essencial. Que elas nos lembrem da delicadeza que toda vida merece — e da força que também nos habita.
Porque nenhuma mulher nasceu para viver com medo.
E nenhuma criança deveria aprender que amor se confunde com violência.
Que o futuro seja diferente.
E que comece agora.