Mídia e Bastidores

Mídia e Bastidores por Júnior Caritel: análise crítica da TV, internet e famosos. Um giro pelos bastidores que influenciam o público dentro e fora da tela

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O que está acontecendo com o SBT Brasil?

Mudanças de horário, decisões editoriais questionáveis e queda de audiência levantam dúvidas sobre o rumo do principal telejornal do SBT

, em Cristalina/GO

O principal telejornal do SBT parece viver um momento de indefinição. Nas últimas semanas, o SBT Brasil tem chamado atenção não exatamente pelo conteúdo jornalístico, mas por uma sequência de episódios que levantam dúvidas sobre o rumo editorial e estratégico da atração.

O primeiro ponto que chama atenção é a falta de compromisso com o telespectador em relação ao horário. Em menos de um mês, o telejornal mudou de faixa na programação ao menos quatro vezes. A instabilidade não afeta apenas quem assiste em casa, mas também as afiliadas da emissora, que já demonstraram incômodo com as constantes alterações na grade.

César Filho é o principal apresentador do SBT Brasil – Crédito: Reprodução / Internet

Os números de audiência também não ajudam. Em diversas ocasiões recentes, o SBT Brasil tem ficado atrás do Jornal da Band, ocupando a quarta colocação entre os telejornais do horário nobre, atrás da TV Globo, Record e da própria Band. Para um jornal que já disputou com mais força a vice-liderança, o cenário acende um alerta.

Outro episódio que repercutiu bastante aconteceu quando o apresentador Ratinho foi convidado pelo âncora Cesar Filho para comentar um caso de estupro coletivo envolvendo uma jovem de 17 anos no Rio de Janeiro. Durante o comentário, Ratinho chegou a dizer que um dos envolvidos, de 18 anos, poderia “virar mocinha” na cadeia. A fala gerou forte repercussão nas redes sociais e levantou questionamentos sobre o tom adotado pelo telejornal.

O que chamou atenção foi justamente a transformação momentânea do noticiário em algo próximo de um programa policial em pleno horário nobre, um formato que foge da linha editorial tradicional de um telejornal de bancada, onde normalmente se espera mais formalidade, análise e equilíbrio.

Em outro momento que viralizou na internet, o próprio Cesar Filho deixou o estúdio para entrevistar a influenciadora Virginia Fonseca em um bate-papo com clima de programa de celebridades. A presença da influenciadora em um telejornal não seria necessariamente um problema, mas a forma como a entrevista foi conduzida levantou questionamentos. Em geral, a saída do âncora do estúdio costuma ocorrer em coberturas especiais ou eventos de grande relevância jornalística.

Curiosamente, quando ainda estava vinculada ao SBT, Virgínia não concedeu entrevistas exclusivas sobre seu relacionamento com o jogador Vini Jr. Mesmo sendo um tema de interesse popular, trata-se de um tipo de pauta que talvez se encaixasse melhor em programas de entretenimento da emissora, como o Fofocalizando, e não necessariamente em um telejornal.

Outro detalhe que chamou atenção foi o fato de Virgínia ter aparecido antes no Domingão com Huck, da TV Globo, deixando o SBT praticamente para o fim da fila de entrevistas, já perto do encerramento de seu vínculo com a emissora. Um movimento, no mínimo, estranho.

Tudo isso contrasta com a história do próprio telejornal. Lançado há cerca de duas décadas e apresentado em sua estreia por Ana Paula Padrão, o SBT Brasil nasceu com a proposta de ser um produto jornalístico forte e competitivo na televisão aberta.

Hoje, diante de mudanças constantes, decisões editoriais questionáveis e audiência irregular, fica a sensação de que o telejornal atravessa um momento de falta de direção. Talvez seja hora de a emissora parar, olhar para o próprio produto e repensar estratégias.

Afinal, se há algo que a história da televisão brasileira mostra é que telejornal precisa de credibilidade, estabilidade e identidade clara. Sem isso, até os formatos mais tradicionais correm o risco de se perder no caminho. E é difícil não imaginar que Silvio Santos ficaria atento a tudo isso.