Mesmo na era das redes sociais, TV aberta está na boca do povo
Mesmo diante do avanço das redes sociais e do streaming, jornalismo local mantém força e influência sobre o público
O futuro da TV aberta pode estar mais presente do que muita gente imagina. Mesmo com o crescimento das redes sociais, plataformas de streaming e novas formas de consumo de informação, a televisão continua tendo forte influência sobre os assuntos que chegam às conversas do dia a dia.

De acordo com dados apresentados por Fernando Morgado, consultor de estratégias em negócios de comunicação, uma pesquisa da GfK/NIQ realizada nos Estados Unidos mostra que 71% dos entrevistados afirmam que notícias locais e regionais, esportes, clima e trânsito estão entre os assuntos que pautam suas conversas. Quando o recorte é o conteúdo das notícias do dia, o índice chega a 75%.
Na prática, os números mostram que a televisão aberta continua exercendo uma forte influência sobre aquilo que as pessoas comentam, discutem e compartilham, mesmo diante da concorrência das redes sociais e das plataformas digitais.
E isso não acontece por acaso. Um dos principais fatores está nos anos de investimento das emissoras na produção de conteúdo local, principalmente no jornalismo.
Um exemplo citado por Morgado é a Record. Em 1996, a emissora em São Paulo dedicava cerca de uma hora por dia, de segunda a sexta-feira, à programação local. Trinta anos depois, esse tempo já supera sete horas diárias. Em algumas praças, o volume de conteúdo local é ainda maior.
A estratégia mostra uma mudança importante no mercado: quanto mais as emissoras conseguem falar sobre a realidade próxima do público, maior é a possibilidade de fazer parte da rotina e das conversas daquela comunidade.
E os dados também encontram respaldo no cenário brasileiro. De acordo com a pesquisa Ponto MAP/v-tracker, quase 70% dos brasileiros consideram a TV aberta uma fonte confiável de informação.
Em um ambiente marcado pelo excesso de conteúdo e pela velocidade das redes sociais, a televisão aberta mantém um diferencial importante: a capacidade de produzir jornalismo próximo da população e transformar acontecimentos locais em assuntos que chegam a milhares, ou até milhões, de pessoas.
Para quem trabalha com comunicação, a mensagem dos números é clara: o conteúdo local continua sendo uma das grandes forças da televisão aberta.
E talvez o futuro da TV não esteja em tentar ser igual às redes sociais, mas justamente em fazer aquilo que sempre foi uma de suas principais características: estar perto do público e contar o que acontece onde as pessoas vivem.