Danilo Caixeta

Bastidores e informações relevantes sobre o cenário político regional e nacional

Eleições em Minas seguem sem rumo e deixam eleitor à espera de candidatos

A cinco meses do início da campanha, esquerda e direita ainda não definiram seus projetos, ampliando a sensação de vazio político das eleições em Minas, o segundo maior colégio eleitoral do país

, em Uberlândia

Google News
eleições em Minas
Fotos: Divulgação

Minas Gerais sempre ocupou posição estratégica no tabuleiro político nacional. Não por acaso, o Estado é frequentemente apontado como um dos principais termômetros eleitorais do país. Mas, faltando poucos meses para o início oficial da campanha de 2026, o que se vê das eleições em Minas é um cenário preocupante de indefinição política.

Enquanto outras unidades da federação já começam a consolidar candidaturas, alianças e projetos de governo, Minas ainda parece presa a uma disputa que sequer começou oficialmente nos bastidores. A situação é evidente no campo político alinhado ao presidente Lula (PT). Durante meses, o senador Rodrigo Pacheco (PSB) foi tratado como principal aposta para liderar uma candidatura competitiva ao Governo de Minas. No entanto, após sucessivas negativas e declarações cada vez mais enfáticas, a hipótese foi definitivamente encerrada.

Sem Pacheco, o grupo governista passa a enfrentar um problema político considerável: encontrar um nome capaz de reunir apoio partidário, viabilidade eleitoral e capilaridade suficiente para disputar um Estado do tamanho de Minas Gerais. Neste momento, a alternativa possível passa a ser o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), que ainda precisará demonstrar força política para se consolidar como candidato.

Eleições em Minas: um vazio também na direita

A indefinição não é exclusividade da esquerda. No campo conservador, o senador Cleitinho (Republicanos) aparece como nome natural para a disputa. Entretanto, até agora, sequer confirmou oficialmente se será candidato ao Governo estadual. Mais do que isso, também permanece sem resposta uma das principais questões: qual será o grau de alinhamento entre Cleitinho e o grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

A situação torna-se ainda mais turva porque o próprio PL não apresenta, neste momento, uma estratégia claramente definida para o Estado. O nome do empresário Flávio Roscoe (PL), ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), circula entre lideranças partidárias, mas ainda não demonstra musculatura eleitoral suficiente para ocupar o protagonismo de uma disputa dessa magnitude.

Em resumo, a direita possui potenciais candidatos, mas nenhum deles está efetivamente colocado na corrida eleitoral.

O único nome posto ainda não decolou

Nesse cenário de indefinições, o atual governador Mateus Simões (PSD) acaba surgindo como o único pré-candidato efetivamente em campo.

A condição de sucessor natural do governador Romeu Zema (Novo) lhe garante visibilidade institucional e estrutura política relevante. Ainda assim, os levantamentos divulgados até aqui indicam dificuldades para transformar essa vantagem em crescimento consistente junto ao eleitorado.

Além disso, os recentes ruídos políticos envolvendo declarações de Zema com o caso Banco Master e Flávio Bolsonaro ampliaram tensões com setores do PL, tornando inviável uma composição política entre os grupos.

O resultado é um cenário curioso: o único nome claramente colocado na disputa ainda não conseguiu consolidar favoritismo, enquanto os demais sequer decidiram se estarão ou não na corrida eleitoral.

Por tudo isso, preocupa que o segundo maior colégio eleitoral do Brasil chegue ao mês de junho sem que seus principais grupos políticos tenham apresentado, de forma clara, seus candidatos e seus projetos para o futuro.

O eleitor mineiro tem o direito de conhecer antecipadamente quem pretende governar o Estado, quais ideias serão defendidas e quais compromissos estarão em jogo. Mas, por enquanto, o que se vê em Minas é um excesso de especulações e uma escassez de definições.