Privado: Caroline Aleixo

As necessidades e os problemas que afligem a segunda maior cidade de Minas Gerais: Uberlândia

 

Uberlândia em chamas: somos a cidade que mais devasta a vegetação

Cidade lidera ranking de queimadas em Minas Gerais com mais de 1.200 focos em apenas seis dias do mês

, em Uberlândia

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Mais uma vez, mais um ano, em que o período de estiagem de inverno traz consigo consequências quase que irreversíveis com a alta incidência de queimadas e incêndios florestais.

Uberlândia vive um verdadeiro cenário de guerra com vegetações ardendo há dias. Setembro mal começou e já somos a cidade que lidera o ranking estadual de focos de incêndios no mês.

O Parque Estadual do Pau Furado, uma das maiores unidades de conservação estaduais do país, depois de sete anos, voltou a enfrentar o seu pior algoz: o fogo. São três dias de chamas devastando a biodiversidade do cerrado, que se abrigava na reserva ambiental.

Incêndio florestal em Uberlândia
Com Uberlândia em Chamas, bombeiros não têm efetivo suficiente para atender todas as ocorrências – Foto: CBMMG

A mobilização das forças de segurança e órgãos de proteção não foi o suficiente. Dezenas de militares estão no local, junto a servidores e brigadistas voluntários.

Para agravar mais ainda nossas condições, o Corpo de Bombeiros precisa escolher qual foco de incêndio combater porque não há efetivo suficiente para abraçar todas as ocorrências simultaneamente na cidade. É grave! É muito grave!

O Parque precisou convocar a sociedade com brigadistas voluntários para tentar frear o rastro de destruição. Eu me lembro muito bem, quando em 2017, fiz a cobertura do incêndio mais trágico da história da reserva, que necessitou do apoio do Exército.

O momento retrocede para o mesmo ponto e, lamentavelmente, vão ser longos anos de recuperação da área devastada.

Uberlândia em chamas
Mapa do Inpe mostra mais de 1,2 mil focos de queimadas em Uberlândia neste mês – Foto: Inpe/Reprodução

Uberlândia em chamas

E não é só a nossa grande área de proteção ambiental queimando. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), nestes primeiros seis dias de setembro, Minas Gerais registra 29.257 focos de incêndio. É o quinto estado com o maior número de ocorrências, à frente de Rondônia, Maranhão e São Paulo.

No estado, Uberlândia lidera o ranking com mais de 1 mil incêndios. Do dia 1º de setembro até a manhã desta sexta (6), o mapa de queimadas registra 1.212 focos na cidade.

Ranking Município Focos de Incêndio
1º Uberlândia 1.212
2º Carmo do Rio Claro 1.058
3º Delfinópolis 732
4º João Pinheiro 732
5º Francisco Dumont 721
6º Uberaba 623
7º Araguari 568
8º Ibiraci 512
9º Mariana 460
10º Barão de Cocais 386

Essas estatísticas precisam preocupar. Afinal, não temos possibilidade de chuva expressiva, segundo a meteorologia, antes da primavera começar. Também não temos políticas públicas efetivas de contenção dessa crise climática.

Respirar em meio a tanta fumaça e fuligem tem sido muito prejudicial. A umidade abaixo de 10%, pior do que em desertos, nos alarma ainda mais.

A situação das queimadas associada à crise ambiental evidencia a fragilidade das nossas estruturas de combate a incêndios, além de expor a necessidade urgente de políticas públicas que saiam dos programas de governo dos candidatos e passem a ser uma prioridade EMERGENCIAL.

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Atuação municipal e estadual

A Prefeitura de Uberlândia enviou um comunicado à imprensa informando que acompanha e atua em todas as ocorrências, mobilizando diversas frentes para auxiliar nos trabalhos. O Instituto Estadual de Florestas (IEF), Corpo de Bombeiros e PM de Meio Ambiente também estão empenhados.

Também segue vigente a ordem para que, em caso de necessidade, as unidades de saúde aumentem as escalas de profissionais em atendimento à população.

Por fim, informou que os trabalhos de fiscalização administrativa contra incêndios ficam a cargo da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade e, na zona rural, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad).

Agora, em caso de flagrante e autuação criminal, a polícia ambiental deve ser acionada pelo 190.