Macaca-prego resgatada tem diagnóstico raro de diabetes

A macaca Chica recebeu o resultado após 25 dias de internação e não poderá mais retornar à natureza; IEF definirá a destinação para uma instituição

, em Uberlândia

O Hospital Veterinário da Uniube (HVU) divulgou um diagnóstico raro de diabetes mellitus em uma macaca-prego fêmea resgatada na Mata do Ipê, em Uberaba (MG). O animal, batizado de Chica, foi resgatado no dia 14 de janeiro em estado apático e recebeu o resultado após 25 dias de internação no hospital.

Macaca-prego chegou debilitada e exames apontaram o diagnóstico raro de diabetes
Macaca-prego chegou debilitada e exames apontaram o diagnóstico raro de diabetes – Crédito: Universidade do Agro/Uniube/Reprodução

Macaca-prego chegou debilitada após alimentação inadequada

O caso é considerado raro em primatas não humanos de vida livre no Brasil. Segundo a equipe responsável pela Chica, a causa provável do diagnóstico estaria relacionada à alimentação inadequada, que muitas vezes é oferecida por pessoas que frequentam as áreas em que esses animais vivem.

Chica foi recolhida por servidores municipais e, inicialmente, o primeiro diagnóstico foi de broncopneumopatia (pneumonia). Ainda na admissão, exames laboratoriais também indicaram hiperglicemia. No entanto, a equipe clínica optou por não fechar o diagnóstico de diabetes naquele momento.

Segundo o médico-veterinário responsável pelo caso, Cláudio Yudi Kanayama, a decisão seguiu critérios técnicos.

“O estresse agudo de captura eleva o cortisol e as catecolaminas, podendo causar hiperglicemia transitória. Além disso, agentes sedativos utilizados em procedimentos anestésicos também interferem temporariamente na glicemia. Diagnosticar diabetes exige confirmação”, explicou.

Somente após 19 dias de estabilização do estado da macaca-prego, uma nova bateria de exames foi realizada e confirmou o diagnóstico definitivo de diabetes mellitus.

O diagnóstico é feito por meio de exames de sangue e de urina, semelhantes aos realizados em seres humanos, e o tratamento também segue protocolos semelhantes aos aplicados em pessoas. “O maior desafio é exatamente o tratamento, pois pode ser necessário o uso de medicamentos orais e até injetáveis. O problema do tratamento injetável é a necessidade de aplicar insulina todos os dias. A grande dificuldade é capturar a macaca diariamente para realizar esse procedimento. Essa é a principal complexidade do caso”, explica.

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Animal não poderá retornar à natureza

Apesar da melhora clínica, a equipe destaca que o resultado é permanente: Chica não poderá retornar à vida livre. Kanayama explica que “um animal com diabetes insulinodependente não consegue sobreviver em ambiente natural. Ele precisa de monitoramento frequente, controle alimentar rigoroso e, possivelmente, terapia medicamentosa contínua”, destacou o veterinário.

Segundo o profissional, “na natureza é difícil detectar essa doença, já que a diabetes não apresenta sintomas visíveis, inclusive em seres humanos. Os casos de diabetes em animais são observados, principalmente, em zoológicos, onde os animais são mantidos sob observação diária”.

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Agora, Chica aguarda encaminhamento ao Instituto Estadual de Florestas (IEF), que definirá a destinação para uma instituição habilitada ao manejo permanente. “Dependendo de como for realizado o manejo, a macaca Chica poderá conviver com outros macacos. No entanto, é necessário medicar diariamente e garantir que receba a dose correta, sem que outro animal consuma a medicação”, explica Kanayama.

A Secretaria de Meio Ambiente da Prefeitura de Uberaba também informou que acompanha o caso desde o encaminhamento do animal ao hospital veterinário. Segundo o secretário Edno Cesar da Silveira, o município seguirá apoiando as instituições envolvidas.

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Especialistas fazem alerta à população

Profissionais da área ambiental reforçam que alimentar animais silvestres pode provocar:

  • distúrbios metabólicos, como diabetes e obesidade;
  • dependência alimentar e perda da capacidade de forrageamento;
  • alterações comportamentais e aumento da agressividade;
  • maior risco de transmissão de zoonoses;
  • desequilíbrio ecológico.

A orientação é que a população não ofereça alimentos a animais em parques ou áreas de preservação e acione órgãos ambientais ao encontrar fauna em situação de risco.